| Rodrigo Carneiro/Terra |
 Nação Zumbi em São Paulo |
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Pouco mais de um mês após a avassaladora apresentação que a Nação Zumbi fez no TIM Festival, no Rio de Janeiro, a banda recifense aportou em São Paulo para gravar, ao vivo, seu primeiro DVD, em comemoração aos dez anos de batalha no cenário musical brasileiro. Porém, se o barulho e o pogo reinaram no show do Rio, em São Paulo quem mandou foi o suingue e o gingado.
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Assista ao trailer do DVD Propagando, da Nação Zumbi 
Jorge Du Peixe fala dos extras do DVD. Assista! 
Nação Zumbi lança DVD
Da abertura até a metade do show, o agito foi comandado pelas guitarradas e batidas de tambores. Mormaço, Samba do Lado e, principalmente, Quando a Maré Encher, contagiaram o público que pulou e cantou muito, transformando a pista do Directv Music Hall em um imenso salão de festa (punk).
Na metade do show, belos efeitos de guitarra flutuaram no ar, com o baixo comandando a levada, fazendo o corpo gingar. Reinou o som psicodélico da guitarra e do lap top, ambos comandados por Lucio Maia, e das letras viajandonas do grupo. "A Nação Zumbi também é ficção científica", explicou o vocalista/percusionista Jorge Du Peixe.
No palco, os integrantes da banda pareciam nervosos, provavelmente pelo fato de estarem sendo filmados por, no mínimo, vinte câmeras (de todos os lados). É o tipo de show em que nada pode sair errado. E, com exceção de uma microfonia no finalzinho de Prato de Flores, a apresentação foi impecável.
A simplicidade da iluminação (com base nas luzes brancas, douradas e vermelhas) e a arte dos desenhos no palco (uma cidade dominada pela música, representada por rádios e tambores sobre prédios) tornaram o ambiente bastante intimista e funcional.
Como grupo, a Nação Zumbi parece atravessar a sua melhor fase. Vindos de uma pequena e vitoriosa turnê européia (quatro shows em oito dias: Londres, Marselha, Sevilha e Paris) e da matadora apresentação no festival carioca, os recifenses chegaram em São Paulo com a moral alta. O bom clima dessa nova fase é representado pelo revezamento dos vocalistas. Além de Jorge Du Peixe, assumem o microfone os percussionistas Toca Ogan e Gilmar Bola Oito, e o guitarrista Lucio Maia.
A banda passeou pelo repertório de seus quatro álbuns. Relembrou o amigo Chico Science em uma versão cadenciada e contagiante de Manguetown e em uma barulhenta e guitarreira versão para Da Lama Ao Caos, além da batida dançante de Cidadão do Mundo. Do último disco, Nação Zumbi, tocaram praticamente tudo, com destaque para Blunt of Judah, Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada e Propaganda, esta última com participação de Rodrigo Brandão do Mamelo Sound System.
Ao repertório oficial da banda foram acrescidas duas covers. A primeira, uma versão pungente e sinuosa de Purple Haze de Jimi Hendrix, de ganhar benção do guitarrista. A outra, uma versão pesada e densa de Umbabarauma, de quando Ben Jor era Jorge Ben, herança do tempos em que o guitarrista Lucio Maia tocava no Soulfly do ex-Sepultura Max Cavalera.
O público que lotou a pista do Directv dançou e cantou muito, em uma noite em que o suingue venceu o barulho. Mesmo assim, o barulho marcou presença em riffs pesados de guitarra e nas batidas dos tambores. Agora, é esperar o DVD. A banda lança em 2004 o registro deste show, que terá como extras um documentário sobre o grupo e trechos das apresentações dos recifenses na Europa.
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