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 Sheryl Crow: "economia de papel higiênico sempre foi uma piada" |
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Sheryl Crow tem muito a falar. Aos 45 anos, e se recuperando de um câncer de mama, a cantora e compositora - que durante anos namorou o ciclista Lance Armstrong - agora encara o desafio de lançar um novo disco e dividir-se entre a turnê de divulgação e cuidar o filho Wyatt, de 8 meses.
» Sheryl quer limite de papel higiênico
Não bastasse isso, Sheryl ainda luta para vencer as críticas e desvencilhar-se da imagem de "paródia ecológica" conquistada quando teria sugerido que o aquecimento global fosse combatido com uma estranha economia de papel higiênico.
Na entrevista a seguir, Sheryl fala sobre esses assuntos e esclarece as circunstâncias que levaram à publicação de sua tese sobre papel higiênico. "Foi sempre como piada. Era parte de uma espécie de número cômico."
Como uma das figuras mais politizadas da música pop norte-americana, você pretendia transmitir alguma espécie de mensagem ao escolher o 5 de fevereiro, a Super Terça-Feira que verá mais de 20 primárias, como data de lançamento de seu novo álbum, Detours?
Não havia absolutamente qualquer correlação. Honestamente, eu não sei mais o que as vendas de discos querem dizer. Algumas pessoas compram e outras baixam ilegalmente e não pagam
Isso a incomoda?
Fico triste por as pessoas considerarem que a música deveria ser gratuita, que o trabalho que fazemos não tem valor.
Você não se considera suficientemente apreciada?
É mais uma questão de conscientização. Quando a música vem de graça, de CDs queimados por amigos, não há compreensão sobre o trabalho que gravar um disco acarreta.
O seu novo disco atualiza as tradições da música de protesto, protestando contra os estragos causados pela guerra do Iraque, pelo Katrina e até contra a política econômica. Gasoline com certeza é a primeira canção sobre os preços elevados da gasolina.
É provavelmente a primeira, e talvez seja a última. Pode vir a ser percebida como uma canção futurista sobre pessoas que saem às ruas e reconquistam a liberdade enfrentando os preços opressivos da gasolina.
No segundo trimestre, você foi apontada como uma espécie de paródia de consciência ecológica quando propôs restringir o uso de papel higiênico a uma folha por visita ao banheiro. Qual era sua intenção?
Creio que isso seja um exemplo fantástico e esclarecedor da maneira pela qual a mídia é operada por figuras políticas, de como Karl Rove foi humilhado pela mídia e, em 24 horas, conseguiu me humilhar e acabar com minha credibilidade.
O que você quer dizer? Você acha que Karl Rove deixou vazar a notícia sobre papel higiênico depois que você e Laurie David brigaram com ele sobre o aquecimento global no jantar da Casa Branca para os correspondentes de imprensa?
Não tenho como vinculá-lo diretamente ao vazamento, mas 24 horas depois de nossa conversa, quando estávamos saindo de Washington, surgiu a notícia na CNN: "Sheryl Crow quer lei que limite uso do papel higiênico a uma folha".
Você sugeriu isso alguma vez?
Foi sempre como piada. Era parte de uma espécie de número cômico que Laurie e eu fazíamos como parte da Stop Global Warming College Tour.
Você gravou seu mais recente álbum em sua fazenda em Nashville, para onde se mudou há dois anos, depois que rompeu o noivado com Lance Armstrong. Por que escolheu viver no sul?
Tenho muitos parentes por lá. Tive uma casa em Los Angeles por 20 anos, e quando recebi o diagnóstico de câncer de mama decidi que era importante estar perto da minha família. Eu estava me preparando para adotar um bebê, e queria minha família por perto para que me ajudassem a cuidar de Wyatt.
Há um histórico de câncer de mama em sua família?
Não, e por isso sirvo de exemplo para a necessidade de diagnóstico prematura. Faça seus exames. Passei por uma cirurgia e seus semanas de radioterapia, e agora estou bem.
Agora você se tornou mãe solteira, com 45 anos.
Adoro cada minuto da experiência. Wyatt tem oito meses, e muita personalidade.
Você o levará na turnê de seu novo disco?
Ele já viajou comigo um pouco. Dorme em um berço no ônibus. É um bebê muito sociável. E levamos nossos cachorros - é como carregar a casa comigo. Como um grande circo familiar itinerante.
Como ganhadora de nove prêmios Grammy, que importância você dá a prêmios?
Quando ganhei meu mais recente Grammy a sensação era do tipo "o ônibus vai sair de manhã, e é hora de recomeçar a trabalhar".
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