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 Maria Alcina com o grupo Bojo |
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O que se pode esperar do encontro de uma veterana da irreverência musical como a cantora mineira Maria Alcina, 54 anos, com um grupo eletrônico racional como o paulista Bojo, formado por Maurício Bussab, Fê Pinatti, Du Moreira e Kuki Stolarski? No mínimo, algo que misture e inquiete os sentidos.
E eles não decepcionam em Agora (Outros Discos), a conseqüência em disco do encontro de Alcina e o Bojo, em julho, no "Com: Tradição", evento paulista que uniu no Sesc Pompéia a face experimental nacional com nomes consagrados da MPB. Felizes pelas (des)semelhanças descobertas, decidiram gravar juntos.
Alcina ganha um upgrade criativo que parecia perdido em algum lugar dos anos 70, quando juntamente com os Secos e Molhados, de quem grava agora Sangue latino em feitio trip hop, causou desconforto na caretice militar e injetou alegria no país ao colocar o Maracanãzinho inteiro para cantar Fio Maravilha, de Jorge Ben.
A música eletrônica do Bojo, que faz show domingo em Salvador, no Acbeu, 16h50, dentro da programação do Mercado Cultural, ganha em caráter orgânico, em espontaneidade, como mostra na balada Nervokalm, o calmante fictício que o pai de Mafalda tomava. Ou em Kataflan e no contagiante funk Tarja Preta, de Wado.
Surgido em 1998 e com três discos lançados, o Bojo faz um mix de eletrônica, jazz e música brasileira, mas foge do lugar-comum que virou o encontro entre ingredientes da e-music e MPB. O CD com Maria Alcina, por exemplo, não tem nada de drum'n'bossa ou fusão electro-regional. O buraco é mais em cima. O show em Salvador será baseado no álbum Vocabulário, de 2002.
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