| Rogério Domingues/Warner/Divulgação |
 A cantora Maria Rita: ovacionada na terra de sua mãe |
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Apesar de fugir do estigma de ser filha de um mito, na noite deste sábado, 15, Maria Rita foi, mais que nunca, filha de Elis Regina. E nem quis fugir disso. Rendeu-se à emoção de se apresentar pela primeira vez na terra da mamãe, em Porto Alegre, no Teatro do Sesi. Nas suas palavras: "É uma honra para mim estar aqui. Pelo motivo que todos sabem, esta noite é muitíssimo especial."
Contida no início, Maria descontraiu-se aos poucos e já na quarta música foi ovacionada de pé por uma platéia extasiada com seu talento retumbante e chorou. E provavelmente não fez sozinha.
O público gaúcho regozijou-se por suas declarações carinhosas, como a de quem estava "em família". Na segunda fila, Ary Rego, o homem que descobriu Elis aos 12 anos de idade, nos tempos do Clube do Guri (Programa de rádio), mostrou-se orgulhoso por ver ao vivo o dom inegável de Maria Rita.
Depois de tanta entrega, o show fluiu de maneira impecável. Abusou da sua voz e provocou momentos sublimes, como em Menina da Lua - acompanhada somente por um piano -, canção que dedicou à mãe. As interpretações de A Festa, de Milton Nascimento, Agora Só Falta Você, de Rita Lee, Cara Valente e Veja Bem Meu Bem, ambas de Marcelo Camelo, encataram o público igualmente.
Na voz, as semelhanças com a mãe se confirmaram. No entanto, Maria Rita é diferente. Mais graciosa nos movimentos, ela saracoteou no palco, brasileiríssima na ginga. A pele alva em contraste ao vestido e ao cabelo preto monopolizou olhares.
A cantora mostrou-se particularmente cuidadosa com os músicos que a acompanham e na escolha do repertório. Ao dar crédito aos compositores, aproveitou para falar de letras, melodias, poesias, arranjos e os aspectos que envolvem cada música, revelando-se não somente preocupada com o apuro técnico e a qualidade estética, mas também com a mensagem contida nas músicas que interpreta.
Fez questão de reverenciar Marco da Costa, co-produtor do show e do disco. Sua postura respeitosa para com todos que a ajudaram a construir seu trabalho denotou humildade e sabedoria, o que cativou ainda mais os presentes.
O resultado de todo esse esforço é o espetáculo irretocável em turnê pelo País, permeado por emoções fortes na apresentação deste sábado. Se Maria Rita chegou a Porto Alegre com um nó na garganta - como confessou ao público -, ao deixar a capital gaúcha nesta semana deverá ter esse sentimento transformado em contentamento. Ao final do show, a responsável pelo tradicional Theatro São Pedro, Eva Sopher, traduziu o sentimento de todos: "Linda!".
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