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 Michael Jackson lançou o disco Thriller há 25 anos |
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Com a ajuda dos videoclipes - que àquela altura haviam acabado de eliminar a idéia de estrelato via rádio -, Michael Jackson levou a dança a todos os lares, provocando um verdadeiro frenesi. Diante dele, até Fred Astaire tirava a cartola; os musicais da Broadway e as escolas de dança deram novas formas ao jazz, por sua influência; as crianças brincavam de imitá-lo, em casa; e nas ruas as pessoas deixavam de lado a febre lânguida das noites de sábado e adotavam seu ritmo percussivo e os giros indescritíveis, seu funk ao mesmo tempo leve e tribal.
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Jackson era uno, em termos rítmicos: música e movimento. E com Thriller conseguiu criar um novo estilo de apresentação, de forte senso coreográfico, o que não tinha precedentes entre os contratados da gravadora Tamla-Motown, por mais bailarinos que Diana Ross contratasse para acompanhá-la.
"Thriller teve imensa influência em nível coreográfico, definiu uma era", reconhece o bailarino e coreógrafo Ramón Oller, diretor da companhia Metros. "Toda uma geração de bailarinos se formou usando a música de Jackson em suas aulas, tanto de jazz quanto de balé moderno. O primeiro a fazê-lo foi Alvin McDuffie", acrescenta ele, que também dirige o conservatório profissional de dança do Institut del Teatre de Barcelona.
"E ainda hoje, em Nova York, a dança dos zumbis" - ele se refere a uma das cenas do vídeo de Thriller - "continua a ser copiada e ensinada em alguns cursos. Na academia Steps, na Broadway, pode ter certeza de que a música de Jackson será ouvida todos os dias".
O menino dos Jackson Five se nutriu de diversas fontes para executar seus passos magistrais: variações do jazz coreográfico, decerto, mas também elementos da dança street, se bem que muito estilizada, diz Oller. "Ele levava a dança da rua ao palco, a adaptava ao formato de espetáculo, algo que conhecia muito bem, e a incrementava". Uma das grandes inspirações de Jackson era Bob Fosse, o brilhante bailarino e coreógrafo que dirigiu Cabaré e O Show Deve Continuar.
A influência de Fosse pode ser comprovada pela cena da serpente no filme O Pequeno Príncipe, que estreou em 1974.
"Jackson se conectava à minha percepção sobre muitas coisas", diz Oller, "o que os Bee Gees e o Abba não faziam. O mundo rítmico que ele trazia combinava com nossa geração: a mudança de aparência, a opção pelos cabelos mais curtos, a introdução da dança break, daqueles excelentes elementos negros, trazidos da rua. Ele abriu inúmeras possibilidades, quanto a novos passos de dança. E também dominava os pequenos detalhes da arte, os momentos de movimento mínimo e sensualidade máxima".
Devido à maneira pela qual tomaram as pistas de dança em suas eras, se diz que Elvis Presley foi o rei do rock, e Jackson o rei do Pop. Mas enquanto Elvis sempre manteve um lado de roqueiro romântico, Jackson tinha mais contato com a vida das ruas. "Jackson se inspirava com o que acontecia nas ruas, e devolvia aquela inspiração às ruas. Não era preciso um Havaí como lugar de sonho. Tudo podia acontecer na rua mesma da pessoa, no Harlem. As pessoas viam que era possível, o que fez um grande bem. As pessoas se sentiam capazes de dançar", acrescenta.
Que o momento de Thriller tenha coincido com o boom do videoclipe permitia o uso de bailarinos de maneira muito coordenada: cada qual com sua deformidade, mas dentro do mesmo ritmo. O coreógrafo norte-americano Michael Peters ¿o Balanchine da MTV- criou, com Jackson, a famosa coreografia. O clipe surgiu um ano depois do disco. A MTV premiou as coreografias de Thriller, Billy Jean e Beat It, esta última também de Peters.
O break e a dança de rua atual guardam muitos traços do trabalho de Jackson - observem a influência dele nos shows atuais de Madonna. O segredo? Oller diz que o movimento de Jackson era influenciado pela combinação entre música e movimento, e pela difícil coordenação dos elementos de seu desempenho, muito rítmica e percussiva, misturando elementos simples, mas com a máxima precisão.
Tradução: Paulo Eduardo Migliacci ME
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