| Rogério Lorenzoni/Terra |
 Shirley Horn: nome consagrado do jazz e uma das grandes atrações de sábado do palco Club |
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O Rio de Janeiro virou a capital da música mundial por três longas noites. As divas Shirley Horn, nome consagrado do jazz, e Beth Gibbons, dona de uma voz quase lírica, foram as responsáveis pelos momentos mais memoráveis do TIM Festival.
Das 17h do dia 30 de outubro até às 9h de 02 de novembro, cerca de 40 mil
pessoas passaram pelo Museu de Arte Moderna para conferir ao vivo as 39 atrações escaladas para o Festival. Foi uma festa. Com exceção do After Hours, os outros três palcos tiveram sua lotação esgotada nas três noites, enquanto o Village recebeu 5 mil pessoas por dia. Um sucesso.
Na escalação, o pop disparava sobre o jazz: eram 30 artistas das várias vertentes pop, rock, country, trip hop, etc..., contra apenas 9 defensores
do jazz.
Na quinta-feira, uma tímida Beth Gibbons se emocionou com o carinho e devoção que recebeu do público que lotava o Stage. "Obrigado, obrigado.
Sorry my portuguese, sorry my voice, obrigado", dizia a sensacional vocalista do Portishead após uma apresentação memorável. Depois do show,
Gibbons circulou pelo Village, deu autógrafos, conversou com a imprensa, com o público, anunciou que o Portishead está preparando material inédito e que a surpresa no Stage se deu porque ela achava que o público tinha ido somente para ver k.d.lang. Com quase 4 mil pessoas aplaudindo de pé, a jovem diva Gibbons foi responsável por uma das melhores apresentações do festival, quiçá, um dos melhores shows que passou pelo Brasil nos últimos anos.
Por sua vez, outra diva foi responsável por mais um momento maravilhoso da música. Shirley Horn já emocionou o público sem sequer abrir a boca. Ao
adentrar o pequeno palco do Club em uma cadeira de rodas, Horn mostrou o quanto ama a música. E o quanto é amada pelo público. A certa altura de sua intocável performance, agradeceu a platéia pelo momento inesquecível que estava presenciando. Com os cabelos vermelhos, luvas pretas e roupa branca, Horn cantou acompanhada por um magnífico trio, George Mesterhazy (piano), Steve Williams (bateria) e Ed Howard (contrabaixo acústico). Sua voz, hoje, pequenina e sussurrada, brilhou em números como Fever e na cover dos Beatles, Yesterday.
Los Hermanos, Nação Zumbi, Lambchop e Super Furry Animals também conseguiram realizar apresentações sensacionais. A primeira causou uma catarse coletiva no palco Lab, com 2 mil pessoas cantando músicas complicadas e sambas deliciosos. Por sua vez, os recifenses provaram que a banda está mais viva do que nunca após a perda de seu líder, Chico Science. O show da Nação foi antológico e promoveu o "pogo" geral. Enquanto isso, os americanos do Lambchop optaram pelo inusitado. Das 13 canções que tocaram, 11 delas eram inéditas. Mesmo assim o público se divertiu muito com o show.
Já os galeses dos Animais Super Peludos foram a grande surpresa do festival. De meros coadjuvantes em uma noite que trazia uma banda do primeiro escalão
do rock mundial na atualidade (White Stripes) e outra que deve freqüentar o mesmo grupo logo, logo (The Rapture), o Super Furry Animals saiu com a taça nas mãos. Em um show visual que contou com desenhos inteligentes e cutucões em Bush e Blair, o Super foi o nome mais comentado da noite de sexta no Stage, seguido pelo The Rapture.
O duo White Stripes fez uma apresentação tosca e barulhenta, mas deixou o festival com um gostinho de "falta alguma coisa". O charme da banda se
concentra na fofa baterista Meg, enquanto o lado musical fica todo a cargo do "guitar hero" Jack. Juntos, eles promovem um cruzamento de blues e rock de garagem com acenos indies que arranca suspiros em muitos momentos (Seven Nation Army) tanto quanto entedia em outros (Ball and Biscuit). Talvez a banda tenha apresentado no Brasil apenas uma centelha de seu poderio de fogo, mas o fato é que o White Stripes ficou devendo.
Um dos comentários sobre o show dos Stripes era: "Como apenas duas pessoas podem promover uma barulheira tão grande no palco, hein?" A dúvida foi
esquecida quando a canadense Peaches subiu no tablado do palco Stage no sábado, de guitarra em punho, e com uma bateria eletrônica violenta. Sozinha
frente a 4 mil pessoas, Peaches fez uma apresentação debochada e insana, promovendo o sexo, o funk tosco e guitarras em alto volume. O público
aplaudia algumas canções, chiava em outras, mas se divertia com a musa que entrou de shorts e camisa branca para, poucas músicas depois, encarar um
strip-tease e tocar o show de corpete preto.
Na seqüência, o funk desceu o morro com DJ Marlboro que levou todo o público do Stage para um baile de periferia. A mistura de tribos celebrou a popularidade do DJ, que distribuiu camisetas, chaveiros e batidas "Miami bass" até às 9h. Com o dia nublado, o Rio de Janeiro se despediu do festival que deve voltar a Cidade Maravilhosa em 2005. No ano que vem será a vez de São Paulo receber o TIM Festival. Já vale começar a riscar o calendário...
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