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Tim Festival
Domingo, 2 de novembro de 2003, 10h25 
Chuva, sexo e funk marcam terceiro dia do festival
 
Marcelo Costa/Enviado Especial ao RJ
 
Rogério Lorenzoni/Redação Terra
A Nação Zumbi fez um dos shows mais potentes da noite no Stage
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A noite menos concorrida do TIM Festival celebrou o funk carioca. DJ Marlboro levou Lacraia, MC Serginho e Tati Quebra Barraco para o palco dando chance a muita gente de ao menos ter uma idéia de como é um baile funk. A batida "miami bass" reinou no After Hours e às 9h ainda era possível ouvir os MCs mandando ver no recado.

O público era um show à parte. Provavelmente, nunca tantas tribos se misturaram no mesmo espaço. Desde pit boys querendo briga, passando por roqueiros indies, surfistas tatuados, torcedores do Flamengo, paulistas sorridentes, travestis divertidos, meninas douradas de sol, branquelas de cabelos vermelhos e pessoas comuns "funkearam" ao som de clássicos do Morro cantando a plenos pulmões bordões famosos como "eu só quero é ser feliz, andar tranquilamente na favela onde eu nasci". A apresentação de Marlboro foi estranha, surreal e multicultural.

Porém, o grande show do último dia do festival foi realizado por uma senhora de 69 anos, uma diva. Shirley Horn foi conduzida ao palco em uma cadeira de rodas. A cantora era dúvida para o festival, mas quando as luzes se apagaram no Stage, a música no Brasil ganhou mais uma página especial. Horn brincou com a platéia e com os músicos. Fez piada, sussurrou as letras e fez muita gente aplaudir de pé sua performance. Recebeu declarações de amor do público e retribuiu-as. E encerrou a noite com uma pungente e emocionante versão de Yesterday, dos Beatles, fechando com gala os shows no palco Club.

O palco Club, aliás, gerou muita reclamação por parte do público. Não bastasse o som do Village atrapalhar o intimismo do Club, garçons e pessoas que chegavam atrasadas aos shows tiravam a concentração de quem queria assistir. E nesta noite, em especial, recebeu a carga de um trovão que, caindo ao lado, atrapalhou toda a sonorização do palco, cortando o show de Meirelles e Os Copa 5 no meio.

A forte tempestade que caiu sobre o Rio de Janeiro atrapalhou vários shows, molhou muitas pessoas e fez chover dentro do palco Stage. No meio do show da Nação Zumbi, o guitarrista Lúcio Maia comentou para o público: "Está chovendo aí? Aqui está chovendo pra c*****". Mas nem a chuva abalou os ânimos da Nação Zumbi. Em pouco mais de uma hora, o grupo desfilou clássicos da fase com Chico Science, assim como faixas novas que já são sucesso de público. E o público festejou. Foi um arraso.

Quem também arrasou foi a canadense Peaches. A musa do electro posou de roqueira punk, prostituta e funkeira. O público, em certas horas, aplaudia. Em outras, olhava sem entender. Transpirando energia, o show de Peaches foi mais punk e sexy que qualquer outra coisa nestes três dias. No Lab, enquanto Coldcut convidava ironicamente Bush, Blair e Yeltsin para uma dança, o público animado esperava mesmo o pessoal do Front 242. E eles não decepcionaram. Com um gostinho de anos 80, a apresentação da banda empolgou o público que tomava metade do palco Lab, isso às 3h da manhã.

A noite ainda contou com uma apresentação de hip hop do Public Enemy tomando por bases solos de guitarra em um estilo que lembra muito Rage Against The Machine e Body Count. Os fãs não aprovaram. Assim como não aprovaram o rap chato do "Eminem inglês" The Streets, que trouxe bola de futebol e garrafa de uísque para o palco, mas não disse a que veio.

Se a noite havia começado fraca de público, no meio da madrugada o local virou uma festa completamente abarrotada. Muita gente passou pelos bares e adquiriu um convite para assistir aos principais palcos, já que apenas o Club esgotou antecipado.

Com o sol saindo tímido de manhã e pit boys querendo arranjar confusão com os seguranças, o primeiro TIM Festival encerrou as atividades. Quem quiser mais, só no ano que vem, em São Paulo.
 

Redação Terra
 
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