| Rogério Lorenzoni/Terra |
 Shirley Horn, uma das vozes femininas do jazz em todos os tempos |
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Sábado, 23h20, 1º de novembro de 2003. Neste horário, neste dia, o melhor
lugar para se estar em todo o mundo era uma pequena tenda quente, ao lado do mar, no Rio de Janeiro. Neste local, pouco mais de 600 pessoas puderam
presenciar a apresentação irretocável de uma das maiores vozes femininas do jazz em todos os tempos: Shirley Horn.
O começo, por si só, foi de tocar o coração. O trio com contrabaixo
acústico, bateria e piano ataca um tema. A improvisação dura vinte minutos quando, de cadeira de rodas, Horn é conduzida ao palco. A platéia desaba em aplausos. Aos 69 anos, a diva quase não veio ao Brasil. Por problemas de saúde, Horn era dúvida para o palco Club. Mas ela veio e trouxe consigo toda a poesia, mágica e delicadeza do jazz.
Ao lado de George Mesterhazy (piano), Steve Williams (bateria) e Ed Howard
(baixo), Shirley brincou com a platéia, fez piada, sussurrou as letras e fez muita gente aplaudir de pé sua performance. Recebeu declarações de amor do público e retribuiu-as.
Lançou sorrisos. Dançou a sua maneira, sentada na cadeira, com o tronco levando o rosto com suavidade de um lado para o outro e a mão marcando o ritmo do piano. E, no final, fez muita gente derramar lágrimas com uma pungente versão de Yesterday dos Beatles.
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