| Rogério Lorenzoni/Redação Terra |
 Meg e Jack do White Stripes: ofuscados pela energia do Super Furry Animals |
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Quem fez o melhor show da noite de sexta-feira no festival? A pergunta que,
de véspera, poderia parecer fácil, se complicou por vários motivos. O
primeiro deles é de que o White Stripes, principal nome da programação
internacional, fez uma apresentação aquém de seu potencial. Se os shows da
banda alcançam a nota dez, este show no TIM Festival foi, no máximo, nota
sete. A sujeira reinou no show dos irmãos White, que foi intensamente
vibrante em vários momentos, como quando a baterista Meg assumiu os vocais
cândidos na música Cold, Cold, Night, ou quando o público fez tremer
o piso do Stage em sucessos como Hotel Yorba e Seven Nation
Army.
Porém, nem tudo foi perfeito na apresentação da banda de vermelho, branco e
preto. A microfonia da guitarra venceu Jack White várias vezes. O duo
pareceu tenso em alguns momentos e mesmo com a platéia nas mãos, a banda
deixou escorregar o domínio do show ali pelo meio, quando o longo blues
zeppeliniano Ball and Biscuit chegou a causar bocejos em alguns.
Por sua vez, o The Rapture saiu consagrado pela platéia. Sua mistura de
eletrônica com guitarradas caiu no gosto da audiência que vibrou o quanto
pode com sucessos como Modern Romance e Olio. Logo no inicio
desta última, com o teclado marcando com melodia a batida da bateria, O The
Rapture levou o público ao delírio. Sentindo o bom momento, o vocalista Luke
Jenner se empolgou, se jogou no fosso em que estavam os fotógrafos e
cinegrafistas tentando chegar mais perto do público, que aprovou a atitude
do vocalista.
Mas se realmente contarmos com a empatia do público, o grande show desta
sexta-feira foi o dos galeses do Super Furry Animals, que saíram ovacionados do palco, pulando de uma posição de meros desconhecidos antes do show para queridinhos do público após a apresentação. O Super Furry Animals fez um show no significado real da palavra. Diz o dicionário: Show é: "1. Ter uma atuação brilhante; fazer um brilhareto; dar um baile". Foi exatamente isso que o grupo galês fez no palco Stage.
Liderado pelo guitarrista/vocalista Gruff Rhys, a banda adentrou o palco ao som de Slow Life. Logo no inicio, Gruff deixa o palco para retornar pouco depois com um enorme capacete vermelho. Seguiu cantando a música, e bem. Nos telões, nada de imagens da banda. Apenas desenhos entre o psicodélico e o infantil ajudavam a aumentar o clima de espetáculo que o
grupo imprimiu a apresentação.
Cada música trazia um clipe novo nos telões, que aumentava ainda mais a
curiosidade do público em relação ao grupo. Porém, a grande sacada do Super
Furry Animals veio na parte final do show. Em Calimero, do álbum
Mwng, a imagem no telão alternava o rosto do presidente
norte-americano George W. Bush com a do prêmio inglês Tony Blair e uma frase
direta: "Todos os governos são mentirosos e assassinos". O público concordou e aplaudiu muito. Mas o auge foi o final. Em The M.D.G. A fuck, última música do show, a banda foi deixando o palco até ficar apenas o tecladista Cian Ciaran. Com um laptop, Cian comandou uma rave que durou mais de 15 minutos até o músico deixar o palco. Muita gente achou que o show tivesse acabado, quando os integrantes retornaram ao palco vestidos de animais super peludos. Mais. Eles traziam a taça da Copa do Mundo nas mãos. Inesquecível.
No Club, Illinous Jacquet Big Band e Terence Blanchard's Bounce foram
irrepreensíveis. O ponto negativo é que ambas as apresentações foram
atrapalhadas pelo barulho, tanto do Village quanto de garços e do público
que entrava procurando um lugar durante a execução das músicas. Já o Lab
presenciou a mágica apresentação de Henry Butler. O pianista, cego, não
cansou de agradecer o carinho do público que vibrou com clássicos como
Great Balls of Fire, You Are My Sunshine e Iko Iko. No
After Hours, Erol Alkan caprichou nos agudos e fez a party eletrônica na
segunda noite do festival. A festa neste sábado promete muito...
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