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Tim Festival
Sábado, 1 de novembro de 2003, 02h09 
White Stripes fez Stage tremer com ode ao barulho
 
Marcelo Costa/Enviado Especial ao RJ
 
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White Stripes detona o Stage
Rogério Lorenzoni/Redação Terra
White Stripes detona o Stage
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White Stripes, um dos nomes do primeiro escalão do rock mundial na atualidade, fez o show mais alto, barulhento e aplaudido de todo o festival.

Saiba tudo sobre o festival

Também, pudera. A banda já ultrapassou a marca de 1 milhão de cópias vendidas de seu último disco, Elephant, e é figurinha fácil nas principais publicações de rock de todo o mundo. Para muitos fãs, a presença do White Stripes em terras brasileiras, no auge da carreira, já é motivo de sobra para agradecer aos céus.

E o White Stripes fez uma apresentação em que reinou o som tosco da guitarra de Jack White, os trejeitos fofos da baterista Meg, e o treme-treme na pista de dança, quando algum hit da banda era tocado.

Foi o que aconteceu em Hotel Yorba, You're Pretty Good Looking (For a Girl) e em Seven Nation Army. A platéia cantava, pulava, festejava e o chão de madeira do palco Stage tremia, tremia, tremia.

No palco, o White Stripes impressiona. São apenas duas pessoas fazendo um barulho dos infernos. Jack é tão branquelo que chega a assustar. Meg é muito mais bonita do que as fotos aparentam. E o som é muito mais sujo do que nos álbuns.

Na primeira música, Black Math, a barulheira era tanta que encobriu o vocal gritado de Jack White. Na segunda, Dead Leaves and the Dirty Ground, o clima bluezy reinou. Jack canta sussurado, para berrar o refrão depois. Em Jolene de Dolly Parton, parece ter incorporado a alma de um velho bluesmen.

Porém, por mais que a pose de "guitar hero" de Jack sobressaia na banda, é Meg a responsável pelos melhores momentos da noite. Ela erra o andamento várias vezes (deve ser difícil manter o ritmo sem um contrabaixo marcando o tempo), faz caras e bocas, sorri, parece brava com Jack, mostra a língua e canta.

É Cold, Cold, Night, uma baladinha soturna que leva a baterista até o microfone principal. A ala masculina vai ao delírio. A ala feminina admira. Meg canta suavemente, larga o microfone para dedilhar um piano que só será tocado no show neste menos de minuto do solo da canção. E volta, vitoriosa, para a bateria, sorrindo.

Jack, por sua vez, parece duelar com as guitarras. Ele toca duas no show. A primeira, um modelo vermelho, insiste na microfonia. Jack tenta equalizar a contento o trio de amplificadores pré 1963 que serve de retorno, mas não consegue.

Larga a guitarra vermelha e pega um modelo marrom. Com ela, toca o longo blues à lá Led Zeppelin Ball and Biscuit e a doce cover de Burt Bacharah, I Just Don't Know What to Do With Myself, cantada em coro pela audiência.

Porém, o clima parece tenso no palco. Jack tem dois microfones a sua disposição. O primeiro é posicionado de frente para o público. O segundo, posicionado de frente para Meg. Neste, o guitarrista passa boa parte do show olhando nos olhos da baterista.

Rola provocações, duelos da guitarra com a bateria, e sacanagens, como Jack retardando o andamento de Fell In Love With a Girl, tirando toda a concentração de Meg.

Foram, ao todo, 18 cacetadas que colocam o som garageiro na ordem do dia. Com os dois pés atolados no blues, as mãos no rock and roll e o coração no som tosco das bandas de garagem, o White Stripes realizou uma excelente apresentação, mas deixou um gostinho de "falta alguma coisa".

Difícil imaginar por que uma banda como o White Stripes conquiste tanto o público. Talvez seja o charme de Meg. Talvez seja o som da guitarra de Jack. Talvez tenha sido um bom show. Com um zumbido nos ouvidos, o público leva a dúvida para casa. E a banda retorna para os Estados Unidos. A festa vermelha e branca fica para uma outra oportunidade.
 

Redação Terra
 
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