| Rogério Lorenzoni/Redação Terra |
 Gibbons: como se fosse sua última vez nos palcos |
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Beth Gibbons foi o grande destaque e a grande surpresa da primeira noite do TIM Festival. Destaque porque o show que apresentou no Stage, abrindo para a canadense k.d.lang, foi definido por muitos como sublime. E surpresa porque a base do repertório do show foram as canções do álbum de estréia de Gibbons ao lado de Paul Webb. Out of Season é um álbum lento, bonito e reflexivo.
Muitos imaginavam que a transposição do material para um show fosse
dispersar o público nas partes mais silenciosas. O que ninguém contava é com a imensa paixão com que Beth trata sua música. Cantando como se este fosse o último show de sua vida, a cantora encantou e se deixou encantar pelo público em um raro exemplo de cumplicidade entre artista e audiência. Após o show, Gibbons virou figurinha fácil no Village. Conversou com o público, posou para fotos e explicou que se surpreendeu com o show porque achava que estava todo mundo ali querendo ver k.d.lang. Sua aparente timidez foi deixada de lado e Gibbons chegou a ir ao Lab para ver o Lambchop, ficando no meio do público como uma pessoa comum.
E foi no Lab que aconteceu o outro show intocável desta primeira noite. O
grupo carioca Los Hermanos entrou ovacionado e saiu ovacionado pelo público que cantou praticamente todas as 20 canções da apresentação. Desde a abertura, com O Vencedor, até o encerramento com a A Flor,
o que se viu foi uma comunhão perfeita entre público e banda. Se no
show de Gibbons, o público aplaudiu reverenciando, no show dos Los Hermanos o público cantou como se fizesse parte da banda, como se aquelas canções fizessem parte de suas vidas. O Los Hermanos caminha a passos largos para alcançar um reconhecimento e uma empatia com o público como só a Legião Urbana conseguiu no Brasil. Jogando em casa, com a platéia nas mãos (e nos lábios), o grupo fez a apresentação mais cantada da noite.
Menores, porém, excelentes, foram as apresentações de k.d.lang e Lambchop. A cantora brincou com o público, posou vestida de homem em um alinhado terno preto e emocionou em canções como Crying e Constant Craving. Já o grupo de Nashville, nos EUA, variou o repertório entre punk folks barulhentas e baladas soul bluezy de arrepiar. O repertório foi quase todo de canções inéditas, mostrando que o Lambchop deve vir mais roqueiro no próximo disco.
O alagoano Wado também colheu frutos em sua apresentação no Lab. Abrindo a
noite para Los Hermanos e Lambchop, Wado conquistou o público aos poucos. No meio da apresentação, contou que já morou no Rio ("no Bairro das
Laranjeiras") e falou de seus dois álbuns indepedentes. Ao final, com a
grande música Tarja Preta, encerrou a apresentação.
No Club o clima foi de intimismo. Palco baixo, um belo piano preto e música delicada e magnificamente melancólica. Foi assim que a noite começou com os argentinos do Quinteto Nestor Marconi. Nestor trouxe o tango moderno para o Rio, tocou covers de Astor Piazzola e saiu com o público aplaudindo de pé. Cedar Walton veio na seqüência colocando Duke Ellington na ordem do dia e mostrando um perfeito entrosamento com sua banda All Stars.
Enquanto isso, o Stage virava After Hours para abrigar uma apresentação
mediana de Jackson do Araújo e um catarse eletrônica com toques de rock na
discotecagem do duo 2 many djs. Quando, às 4h da manhã, o duo colocou para
tocar na pista a música Lithium do Nirvana, podiam ser vistos mais de mil pessoas pulando, dançando e berrando a famosa canção de Kurt Cobain
acrescida de beats eletrônicos. Uma bela imagem para encerrar uma noite
musicalmente impecável.
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