|
|
 |
Busca |
|
Busque outras notícias no Terra:
|
 |
|
Eles foram apontados como os salvadores do rock, envolvidos em uma névoa de expectativa que tem tudo para impulsionar uma onda de reações negativas. Mas os Strokes estão de volta com o aguardado segundo disco, Room on Fire, para provar que realmente não estão ligando para o hype: a julgar pelo show do grupo no teatro do Madison Square Garden, esta semana, a única coisa importante para eles é a música.
Metade da crítica americana (provavelmente os mesmos que torcem o nariz para o fato de que os integrantes da banda vêm de famílias ricas) vem fazendo análises complexas de Room on Fire (lançado esta semana nos EUA), em geral tecendo comparações com o aclamado álbum de estréia, Is This It?, de 2001.
A analogia, no entanto, é pouco justa: sim, há várias similaridades entre os dois trabalhos, principalmente em termos de efeitos e estrutura das músicas - todas compostas por Julian Casablancas. Mas é inegável que o Strokes de 2003 é muito mais maduro que o de 2001 - o que fica claro no show, onde os guitarristas Rick Valensi e Albert Hammond têm um papel decisivo em aumentar o volume da sonoridade da banda.
Talvez o que parte da crítica não esteja entendendo é que o Strokes não tem a programada fúria adolescente de grupos como Limp Bizkit ou a vocação messiânica do rock cristão do Creed. Casablancas não faz cena no palco, não inventou um "personagem roqueiro" que quebra o palco. As músicas, apesar de acessíveis, não são especialmente moldadas para o rádio.
Sem artifícios, o Strokes ao vivo concentra-se exclusivamente na música - o que acaba sendo um teste para o público jovem de hoje, acostumado a efeitos, telões, etc. Resta prestar atenção no quanto os quase dois anos de turnê deixaram a banda afinada ou na mixagem da voz recheada de efeitos de Casablancas.
Room on Fire pode não ter uma equivalente a Last Night, mas têm faixas com ótimas melodias e riffs de guitarra. Faixas como You Talk Way Too Much e What Ever Happened são momentos puros de rock descompromissado. Meet Me in the Bathroom e Under Control, mais lentas, apontam mais para os anos 80, sem cair na caricatura.
Há referências de uma guitarra de The Cure aqui, uma influência de Cars ali, mas o resultado é uma sonoridade atual, feita mais para divertir do que para salvar todo um gênero da mesmice. No show de Nova York, eles mostraram também que, apesar de ter repetido algumas das fórmulas do disco anterior, estão dispostos a olhar para outras direções: Casablancas fez um dueto com a cantora Regina Spektor, em uma faixa inédita e ainda sem nome. A combinação do cantor com vocais femininos mostra os outros caminhos que eles ainda têm a explorar.
Quando a poeira do hype baixar, o mundo vai poder entender melhor que o Strokes é uma banda de gosto refinado, sem atitude e com ótima técnica. Enquanto isso, o jeito é ouvir Room of Fire e não ligar para as críticas, os números de vendas e outras bobagens.
|