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Tim Festival
Quinta, 30 de outubro de 2003, 13h07 
Tira Poeira diz que seu lema é "quebrar tudo"
 
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Considerados por Maria Bethânia como "puro rock", apesar de tocarem choro, os integrantes do Tira Poeira assumem que seu lema é "quebrar tudo". O grupo se apresenta na sexta-feira no TIM Festival, abrindo o palco Tim Lab para Henry Butler e Gotan Project.

Eles se conheceram no bairro da Lapa, antigo ponto de encontro dos músicos cariocas e, incentivados pelo gaúcho Henry Lentino (bandolim), resolveram criar o grupo.

Os cinco integrantes do grupo tinham em comum uma bagagem musical ampla, a paixão pelo choro e o gosto pela improvisação. Eles começaram a tocar num local que foi o berço da bossa-nova: o Café do Beco, em Copacabana.

"Todos concordaram que não haveria hierarquias, que o que tínhamos que fazer era romper as barreiras, quebrar tudo", disse o pandeirista Sergio Krakowski em entrevista concedida à Reuters na casa do saxofonista Samuel de Oliveira, onde a banda faz seus ensaios.

Essa opção por fugir do convencional os levou a ser conhecidos como "o grupo dos virtuoses". Isso não apenas por serem todos grandes músicos, mas porque o demonstram em cada apresentação, dando o mesmo destaque ao pandeiro ou ao violão de sete cordas, normalmente instrumentos de base, ao invés dos instrumentos tradicionalmente solistas.

"Esse título de tradicional ou não-tradicional não existe. O chorinho vem de um cruzamento da polca, uma dança européia, com os ritmos africanos, logo não existe pureza", disse Oliveira, enfático.

Para Fábio Nin, que toca violão de sete cordas, os cinco integrantes do Tira Poeira (que é o título de um choro de Sátiro Bilhar) se sentem livres para fazer "uma releitura muito pessoal dos clássicos do choro".

Misturando estilos tão diversos quanto jazz, samba, flamenco, clássico, blues, reagge e rock, todos participam igualmente dos arranjos.

"É um trabalho coletivo e conjunto que nasceu da roda de improvisação", contou Nin.

O bandolinista Lentino surpreende a quem o ouve pela primeira vez, porque consegue distorcer o som de seu bandolim elétrico e incluir em números de choro trechos que lembram Jimi Hendrix.

Foi o clarinetista Paulo Sérgio Santos, pai do violonista do grupo, Caio Márcio, quem sugeriu à banda que mantivesse em seu primeiro disco o repertório clássico.

Intitulado simplesmente Tira Poeira, o CD foi lançado no início do ano e já vendeu 3 mil cópias. Foi produzido pelo selo Biscoito Fino, o mesmo de Maria Bethânia, que, quando descobriu o grupo, o convidou a participar de seu disco mais recente, Brasileirinho, interpretando Padroeira do Brasil, de Irani de Oliveira.

Entre os projetos da banda constam uma colaboração com Lenine num show programado para novembro no Teatro Leblon e a gravação de um novo disco no ano que vem.
 

Reuters

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