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Música
Terça, 9 de outubro de 2007, 11h56 
Gravadora Trama não vai fechar, diz João Marcelo Bôscoli
 
Marco Antonio Barbosa
 
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João Marcello Bôscoli, 36 anos, diz não agüentar mais ouvir falar que sua gravadora, a Trama, está em crise. A boataria tem razão de ser. Em 2007, o selo praticamente não lançou novos discos. A Distribuidora Independente, um dos braços da empresa, foi fechada. Artistas importantes (Cansei de Ser Sexy, Nação Zumbi, Tom Zé) deixaram a gravadora. E vários títulos do catálogo entopem saldões em lojas virtuais e reais. Seria o fim do projeto que, em 1998, surgiu prometendo revolucionar a música brasileira?

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O presidente da Trama garante que não. Apostando no que chama de multidisciplinaridade da música, Bôscoli diz que pretende continuar a sacudir o mercado oferecendo novas formas de vender (e de ouvir) música.

Vamos direto ao ponto: a Trama vai acabar?
Estou cansado dessas histórias, sabe? Já ouvi que a Trama vai fechar daqui a seis meses. Que a Trama serve para lavar dinheiro. As pessoas que dizem essas coisas não têm vida própria. O que fulano ou sicrano falaram na imprensa... me desculpa, mas isso não me interessa. Essas histórias são pura falta de educação. Mas tudo bem. Acho importante ser odiado. Sou filho da Elis Regina, não de um diretor de marketing qualquer.

Mas em 2007 a gravadora esteve devagar, quase parando, certo? Isso gera rumores...
Só lançamos dois discos este ano (Maquinado, de Lucio Maia, e Art, Plugs & Soul, do DJ Mau Mau). Já houve época em que eu ficava deprimido por conseguir lançar 25 artistas por ano! Mas eu não tenho só uma gravadora. Não estou nessa para vender pedaços de plástico. Vendemos música. O que aconteceu foi que trocamos de fornecedor (de CDs) no começo do ano e precisávamos limpar o mercado dos títulos velhos que ainda estavam em catálogo. Então seguramos os lançamentos. E também fechamos a Distribuidora Independente, que nunca deu dinheiro, só dor de cabeça. A Distribuidora se justificava quando ainda pensávamos em virar a cena, mudar o mercado musical. Mas o mercado está acabando.

O elenco da Trama também perdeu dois nomes importantes: os grupos Cansei de Ser Sexy e Nação Zumbi. Como foi essa história?
Passamos o contrato que tínhamos com o Cansei, que previa mais dois discos, para a gravadora Sub Pop (EUA). A banda me procurou e disse que não fazia sentido manter o contrato, que a vida toda deles estava lá fora. Mas continuamos amigos, eles vão ensaiar no estúdio da Trama no mês que vem. A Nação, falando francamente, não dava retorno para nós. É uma pena dizer isso, adoro o grupo, acho a Nação a melhor banda do mundo. Mas nós só tínhamos participação na venda dos CDs deles; todo o resto, agenciamento, editora, licenciamento, era feito por eles. E com o dinheiro que eu empregaria num CD deles poderia gravar outras 10 bandas independentes. Então não compensava.

Além de diminuir o elenco, a empresa demitiu funcionários?
Já tivemos quase 100 funcionários. Hoje trabalhamos com 35 pessoas. Conseguimos terceirizar vários departamentos - financeiro, jurídico etc. - áreas que, afinal, não tinham a ver com o núcleo do nosso negócio, que é música.

A Trama antecipou várias das estratégias que as grandes gravadoras hoje buscam para driblar a crise. Você se sente um visionário?
Em 1997, nos preparativos para fundar a Trama, já sabíamos que uma empresa de música teria futuro, mas uma gravadora, não. Nosso pulo do gato foi entender que tudo é música. Mochila é música. Camiseta é música. Calendários, pôsteres, revistas... Só 20% de nosso faturamento vêm de CDs e DVDs; o resto chega de outras fontes. Acho que a Trama nem sequer pertence ao mesmo setor que as outras gravadoras. As multinacionais tomaram a comida de bola do milênio ao subestimar a Internet. Eu rio quando ouço as gravadoras falando: "Agora a música vai para a web". A Trama está na web desde 1999! Tem o lado triste, que é ver todo um setor da economia quebrando. É uma crise que tem mais vítimas do que culpados. Estou contente com o nosso retorno. Mas o pouco que ganhamos até agora foi por W.O. (risos)

No manifesto de fundação da Trama constava o compromisso de "incentivar e apoiar o artista nacional". Vocês ainda estão de olho na renovação da música brasileira?
Neste momento, estamos negociando com seis bandas novas, para gravarem CDs. Nosso telefone não pára de tocar. Cadastramos 1.700 artistas novos todos os meses no portal Trama Virtual. No programa de TV homônimo, já temos mais de 60 artistas independentes gravados. Começo a sentir uma grande empatia por essa galera nova. Acho legal o fato de as bandas novas já nascerem ¿self-made¿ (feitas por si mesmas). Eles não contam com coisa alguma, nenhuma benesse de gravadora, correm atrás de tudo por conta própria. É a verdadeira geração punk-samba.
 

JB Online
 
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