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 The Strokes |
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O sucesso repentino fez com que o grupo americano Strokes passasse por uma temporada estressante no ano passado.
O clima de tensão chegou até a gerar boatos de que o novo disco, o recém-lançado Room on Fire, havia tido seu lançamento adiado devido a brigas e crises criativas, ainda mais tendo em vista que o primeiro álbum da banda, Is This It, é de 2001.
Diante desse histórico, chega a surpreender que o guitarrista Nick Valensi tenha dito em entrevista à Radio One da BBC, que o novo álbum tem "uma atmosfera mais relaxada" que a do álbum anterior ¿ que, segundo ele, era "muito rígido e conciso".
A banda não nega que houve momentos tensos que antecederam a gravação do disco, mas afirma que muitas informações sobre o período foram exageradas.
"Cancelamos apenas um show, porque estávamos exaustos, tensos. Nunca havíamos estado em uma turnê de verdade. Não sabíamos que não podíamos tocar durante sete dias da semana durante seis meses", afirma Valensi.
Mas os boatos que circularam sobre crises de relacionamento da banda foram infundados, como frisa Valensi.
Amigos para sempre
"É tão bacana quando membros de uma banda se dão bem. É como os Beatles no início, eles eram tão próximos. Ninguém pode substituir Julian, Nikolai ou Albert", diz, referindo-se, respectivamente, ao vocalista Julian Casablancas, ao baixista Nikolai Fraiture e ao guitarrista Albert Hammond Jr.
"Somos amigos, se o seu amigo se muda para o Wyoming, não vai pintar um cara novo e imediatamente preencher esse espaço", acrescenta.
A rasgação de seda entre os integrantes da banda não parou por aí. Indagado sobre o processo criativo da banda, Albert Hammond Jr. fez o seguinte relato:
"Julian escreve canções muitas boas. Vamos para o estúdio, e não vamos embora até acharmos que conseguimos alguma coisa muito boa".
Em Room on Fire, a banda colaborou com o produtor Nigel Godrich (Radiohead, Beck, entre outros) em algumas faixas. "Queríamos trabalhar com ele porque na época estávamos ouvindo muito Radiohead. E gostamos muito da transição que ele trouxe à banda entre The Bends e OK Computer", conta Fraiture.
"Queríamos dar um passo à frente, mas sem perdermos o que é essencial na gente. Não queríamos perder o nosso som", acrescenta Valensi.
Mas o passo à frente pode ter se revelado um passo em falso ¿ tanto que a banda acabou rompendo a parceria e os Strokes voltaram a trabalhar com o produtor que assinou o primeiro disco da banda, Gordon Raphael.
Após voltar a trabalhar com o primeiro produtor, o disco tomou outro rumo. Quando foi que os Strokes souberam que o disco estava pronto?
"Estamos sempre indo e voltando", diz ele."Terminamos a gravação, depois percebemos que há algo errado e aí retomamos", explica Nikolai Fraiture.
Mas e a gravadora dos Strokes, como é que reage a esse estilo de criação tão meticuloso?
"Clive Davis (o presidente da RCA) foi bem bacana. Ele fez com que a gente relaxasse e usasse todo o tempo necessário. Mas, é claro, é preciso evitar tanto ser preguiçoso como ser apressado demais", conta Hammond Jr.
Nick Valensi conta que a expectativa criada em torno do disco pela imprensa foi tão grande que até eles próprios chegaram a se impacientar com a demora no lançamento.
"Todas as semanas, a (revista musical britânica) NME vinha com uma notícia diferente: 'Terminam as mixagens', 'Julian termina de gravar os vocais'. Chegou um ponto em que até eu me perguntei: 'Meu Deus, quando é que o disco vai sair?'"
Nova York
Entre as coisas que a banda mais gosta e mais fala em suas entrevistas está sua cidade natal, Nova York.
De acordo com os integrantes dos Strokes, mesmo depois dos atentados de 11 de setembro a cidade segue sendo a mesma.
"É um lugar tão 'cool'. Ninguém se mete na vida de ninguém. É cada um na sua", diz Valensi.
Mas o guitarrista acrescenta: "O que mudou mesmo foi essa proibição ao cigarro. Isso estragou a vida noturna de todo mundo".
Os integrantes da banda são figurinhas carimbadas na cena de badalações de Nova York. Ainda mais desde que o baterista, o brasileiro Fabrizio Moretti, começou a namorar com a atriz Drew Barrymore, juntando-se ao panteão de roqueiros ligados a célebres atrizes ¿ o clube conta ainda com Chris Martin, do Coldplay, namorado de Gwyneth Paltrow, e com Jack White, dos White Stripes, que esteve com a atriz Renée Zellweger.
Mas o sucesso não fez com que a banda aceitasse fazer concessões, como ceder suas canções para comerciais de TV, a exemplo do que fez Moby.
"Agumas empresas de produtos como lambretas já nos enviaram fitas de vídeo com músicas dos Strokes de fundo. Mas o resultado é sempre tão cafona. Imagina ouvir os Strokes venndendo comerciais de excursões em transatlânticos!", comenta, aos risos, Nick Valensi.
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