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Música
Quinta, 16 de agosto de 2007, 07h00 
Madonna continua a sustentar seus "15 minutos de fama"
 
James Cimino
 
AP
Madonna canta durante sua  Confessions Tour , a mais lucrativa da história
Madonna canta durante sua Confessions Tour, a mais lucrativa da história
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    A popstar Madonna completa nesta quinta-feira 49 de anos de idade com uma carreira de deixar mudos os críticos que, em 1983, quando lançou seu primeiro disco, davam-lhe 15 minutos de fama que o artista plástico Andy Warhol afirmara, na década de 1970, que todos teriam a partir de então.

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    Quase 25 anos depois, o que Madonna teve foram, na verdade, diversos 15 minutos de fama. Nenhum artista pop se manteve durante tanto tempo em evidência nas últimas décadas quanto ela, e isso se deve, principalmente, à sua capacidade de se re-inventar, como ela prefere dizer (uma de suas turnês se chamava Re-Invention), de antever o que estará na moda em um futuro próximo e de se livrar da imagem criada por si mesma, sem grandes remorsos, para abraçar nova empreitada.

    Um espírito tipicamente capitalista, baseado na valorização do presente, na destruição do passado e na projeção do futuro, diria algum filósofo de orientação marxista.

    Em entrevista ao apresentador inglês Michael Parkinson, reprisada nesta semana pelo canal pago Multishow, como parte das celebrações do aniversário da cantora, a própria Madonna falou a respeito de suas inúmeras faces.

    Questionada por Parkinson sobre a afirmação de que havia, pelo menos, 20 Madonnas, com um sorriso irônico ela o interrompeu para dizer que "há muitas mais".

    Uma delas foi inspirada na atriz pornô Dita Parlo, que serviu como musa inspiradora do disco Erotica (1992), do provocante livro Sex, em que a cantora mostra "os homens como objeto sexual feminino", e do concerto The Girlie Show, que quando passou pelo País do Carnaval em 1993 causou mais empolgação do que polêmica.

    Também foi assim que ela enfureceu os católicos com o videoclipe de Like a Prayer, em que associa um negro à imagem martirizada de Jesus Cristo para depois beijá-lo na boca.

    Madonna é uma imagem. Correção: Madonna são várias imagens, várias personagens, várias ideologias. Muitas delas incompatíveis entre si, como mostra a capa do disco American Life (2003), em que aparece caracterizada como o guerrilheiro Ernesto Che Guevara.

    Na faixa-título, critica o "american way of life", que ironicamente a colocou no ranking da revista Forbes como a terceira mulher mais rica do mundo, a mais rica entre os músicos: "tenho um advogado, um empresário, um agente e um chefe/três babás, uma assistente, um motorista e um jato/um treinador, um mordomo, um guarda-costas ou cinco/um jardineiro, um estilista e você acha que estou satisfeita?"

    Não, ela não está satisfeita. Outra de suas personas vem por aí. Madonna está em estúdio finalizando seu próximo disco em parceria com o produtor Timbaland, que deu frescor à carreira solo de Justin Timberlake e de Nelly Furtado.

    Para o ano que vem, prepara uma turnê em comemoração a seus 25 anos de carreira. Neste ano dirigiu um filme, é mãe de três filhos, tem um marido, monta a cavalo e cuida de um castelo.

    No entanto, apesar de dizer na mesma entrevista a Michael Parkinson que não pensa em parar, que nunca se sentiu tão cheia de energia, em suas músicas é evidente o assombro que a iminente decadência lhe causa.

    Várias das faixas de Confessions on a Dance Floor, seu último e elogiado disco, falam disso: "quão alto se pode chegar", em How High, "sei que as luzes irão se apagar", em Let It Will Be, mas conclui, em Like It or Not, que é isso o que ela é, você pode gostar ou não, "mas eu nunca vou parar".
     

    Redação Terra
     
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