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Música
Sábado, 18 de outubro de 2003, 17h10 
Violeiros apostam na boa fase da música caipira
 
Ana Luiza Gomes
 
Reprodução/Divulgação
Detalhe da capa do CD  Esbrangente
Detalhe da capa do CD Esbrangente
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    O que é viola de cocho? E ponteados, toques e causos? São instrumentos e arranjos da música caipira representada por Roberto Corrêa, Badia Medeiros e Paulo Freire. Os três violeiros garantem que a cultura caipira, embora não seja muito divulgada, está vivendo um momento muito importante. "De 1959 a 1991, a música caipira esteve desaparecida, porque ela se sentiu abandonada, encostada", considera Badia.

    Para Roberto, este é um momento muito importante para a viola. "O instrumento está sendo resgatado e com as pessoas utilizando a viola, elas acabam procurando conhecer o contexto das músicas", afirma. Badia acrescenta: "Eu sinto que as pessoas começaram a resgatar a cultura brasileira em geral". Os violeiros vêm percebendo, através das 60 apresentações já realizadas, que o público sente um carinho muito grande pela cultura caipira. Badia confirma que nos shows, o público sempre se emociona.

    Roberto revela que, por algum tempo, a viola quase sumiu por causa do novo mercado que estava surgindo, o de duplas românticas. Ele acredita que a grande dificuldade vivida pela cultura caipira é a "manipulação" da mídia. "A maioria das pessoas recebe informações por meio do rádio e da televisão. E se a mídia mostra só um tipo de música, dificulta". Segundo o violeiro, as grandes gravadoras mantêm os meios de comunicação. "Enquanto no Brasil não houver uma mentalidade mais evoluída, de as pessoas procurarem o que é representativo, vamos correr sempre esse risco, ou seja, ter uma cultura que fica à margem do que é mostrado", alerta.

    Apesar disso, Badia sente que as pessoas estão resgatando a cultura brasileira em geral, inclusive a caipira. "Como é que as pessoas vão gostar de algo que nunca viram?", questiona o violeiro. Para ele, depois dessa retomada, até as vendas de viola aumentaram.

    Roberto explica que essa retomada se dá pela nova maneira de utilizar a viola. Ele diz que hoje existem solistas, concertistas de viola, pessoas misturando a viola com rock, com choro.

    Para os violeiros, as duplas românticas fazem composições bonitas. "Eles não têm culpa nenhuma do problema vivido por nós, eles fazem as músicas e querem ser reconhecidos. O problema é criado pelas gravadoras", considera Roberto. Para Badia, os dois tipos de música são diferentes, "sertanejas, mas diferentes".

    O trio têm viajado pelo país com o espetáculo Esbrangente, mostrando a viola caipira, de cocho e a diversidade da cultura da região do Brasil Central, representada pelos lendários Teixeirinha, Tonico e Tinoco, Mazzaropi, Raul Torres e Florêncio, João Pacífico, Zé Carreiro e Carreirinho, Zé Fortuna, Pitangueira e Zé do Fole.

    Roberto explica que, para montar o roteiro do show, eles percorreram todo o universo musical da região. "Escolhemos alguns clássicos da música caipira, do sertão, algumas canções mais modernas, outras que incluem trios, solos e duetos, e ainda apresentamos poemas musicais". Segundo ele, a intenção é mostrar a todos a riqueza e diversidade dessa cultura.
     

    Agência Brasil
     
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