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Música
Sexta, 1 de junho de 2007, 09h19  Atualizada às 09h32
Björk lança álbum e diz que recuperou o ritmo
 
James Cimino
 
Divulgação
Encarte do disco  Volta , de Björk, que foi lançado no Brasil
Encarte do disco Volta, de Björk, que foi lançado no Brasil
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O título do novo CD da islandesa Björk, Volta, sexto álbum da cantora, lançado no Brasil pela Universal, sugere um retorno às raízes musicais da cantora, mas com olhar direcionado ao futuro. Segue também uma lógica existente nos títulos de todos os seus CDs de estúdio, que sintetizam em uma palavra a estética sonora de cada trabalho.

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O primeiro, por exemplo, chamava-se Debut (o início, de 1993). O segundo era Post (1995), o que veio depois. Homogenic (1997) sugere uma consolidação de estilo, enquanto Vespertine (2001) fala do entardecer de uma estética criada por ela e que ninguém sabe definir ao certo o que é. Para fugir dessa mesma lógica (ou sistema musical, como ela prefere chamar), Björk lança Medúlla em 2004, um disco extremamente difícil, hermético, que se comunica com sentimentos muito particulares da artista, gravado praticamente com vozes humanas. Estranhísssimo...

Volta é, de certa forma, uma visita a esse passado, mas com um olhar direcionado ao futuro, vislumbrando possibilidades para a humanidade. No entanto, como ela mesma faz questão de ressaltar: "não é essa porcaria hippie: 'volte para suas raízes'. É sobre seguir em frente, voltar a ter ritmo".

O novo trabalho se acelerou após uma viagem, em 2005, por meio da Unicef, à Indonésia, então devastada pelo tsunami. Ao se deparar com uma cidade de 300 mil habitantes, dos quais 180 mil haviam morrido, Björk passou a enxergar uma humanidade sem fronteiras, já que a desgraça iguala a todos.

"As pessoas ainda estavam enterrando cadáveres, e havia aquele cheiro de morte. Estive com gente que só conseguiu resgatar um vestido da família. Foi chocante", conta.

Foi dessa experiência que saíram faixas como a primeira do disco, Earth Intruders (Invasores da Terra), produzida por Timbaland, o queridinho das "popzudas", que já havia mixado a faixa Joga, de Homogenic. Nela, a cantora se põe desde o início do álbum como uma turista acidental. Uma mera visitante da raça humana.

Por isso, o instrumental das canções lembra objetos e seres itinerantes. Um apito de navio, o som de um trem, de um pássaro voando, chuva, todos elementos transitórios que se transformam em melodia.

Batida e parceiros
Segundo a cantora, a bateria foi a última coisa a entrar no disco. "Eu já tinha gravado os metais e estava começando a mixar. Então pensei: 'preciso de um baterista verdadeiro, daquele tipo que tenha a selvageria trance'."

Para tanto, Björk convidou Chris Corsano (colaborador do Sonic Youth, que agora é membro da banda da cantora), cujo trabalho pode ser ouvido na faixa I See Who You Are (Eu Vejo Quem Você É), e Brian Chippendale (do Lighting Bolt), que faz a simples e envolvente batida de The Dull Flame of Desire (A Tola Chama do Desejo).

É claro que o trabalho de Björk não é facilmente palatável em uma única audição, tanto que, no programa de músicas iTunes, que puxa dados dos discos na Internet, o estilo do álbum é classificado, na falta de coisa que o valha, de "punk alternativo".

Há também quem possa pensar que essa "coisa existencialista" é muito "cabeça" ou "deprê", mas não se trata disso. É um tipo de música que, por ser estranha, desperta os sentidos de forma diferente e, por mais que não se entenda sua letra ou as misturas incomuns de sons, coloca o ouvinte de volta ao ritmo propriamente humano, mais relacionado com a natureza e, portanto, fala diretamente ao coração.
 

Redação Terra
 
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