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 Marly Marley, jurada do programa Raul Gil, acha que imitar cantores é "tiro no pé" |
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Uma dúvida paira no ar quando os jurados de Ídolos, do SBT, ou do Programa Raul Gil, da Band, eliminam certos candidatos que, de acordo com a opinião dos telespectadores "cantam muito bem", afinal, "aquela moça cantava tão alto..."
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Na opinião dos jurados, no entanto, cantar alto não é sinônimo de cantar bem. É o que afirma Marly Marley, que avalia os candidatos do Programa Raul Gil há 20 anos.
"É natural que, no começo da carreira, a pessoa se espelhe em alguém, mas tudo tem limite. Hoje em dia, todas querem ser Whitney Houston. Aí eu olho para a pessoa e penso: 'Tomara que ela não tente imitar a vida pessoal dela, que não é exemplo para ninguém'", ironiza a jurada que toma Nara Leão como exemplo de afinação sem gritaria.
Opinião semelhante tem o jurado do Ídolos, Thomas Roth, que explica que o floreamento vocal que cantoras como Whitney Houston e Maria Carey fazem é chamado, em jargão musical, de melisma.
"A gente 'gonga' esse povo porque não queremos uma cópia de um modelo que é americano, que vem da música gospel, do blues. Isso, contudo, não quer dizer que uma pessoa não possa fazer isso e ser bem-sucedida. Tanto que uma das candidatas dessa temporada, a Mari Rocha, usa o melisma muito bem."
Usar muito bem quer dizer usar com economia e nos momentos certos. Os dois jurados são unânimes ao dizer que as candidatas tentam impressioná-los com tal recurso, mas que o tiro, na maioria dos casos, sai pela culatra.
"Quando vira pirotecnia vocal, é um 'pé no saco'. Vira gritaria. E isso não funciona no Brasil, porque, aqui, as pessoas gostam de cantar junto. Não apenas é mal visto por nós jurados como também é mal visto pelo público. Além do mais, muitas vezes a pessoa usa isso para esconder sua limitação de estilo. As pessoas têm de saber que o melisma é para quem pode ou para quem sabe usar", diz Roth, que associa a moda ao sucesso I Will Always Love You, que Whitney popularizou na trilha sonora do filme O Guarda-Costas.
"Os telespectadores se enganam com a amplitude vocal da pessoa, mas não percebem os semitons que, na Whitney Houston, ou não existem ou são imperceptíveis", diz Marly Marley. "Aqueles cujas vozes e maneira de cantar lhes cabem são os que se dão bem."
Moda e modelos
Outro exemplo de imitação mal-sucedida vem dos homens, que tentam copiar as duplas sertanejas em seu, muitas vezes excessivo, vibratto ou falsete. Segundo a jurada do programa da Band, as imitações surgem de acordo com as duplas da moda.
"Primeiro era o Chitãozinho e Xororó (que imitavam). Depois foi o Zezé Di Camargo e o Luciano. E era aquela gritaria...", diz Marly Marley, que ressalta sua surpresa com o fato de poucas pessoas tentarem imitar, por exemplo, Ivete Sangalo. "Acho que eles sabem que o repertório da Ivete não os levaria muito longe em uma competição de calouros."
"Os candidatos tem de entender o seguinte. Se você se mete a cantar New York, New York, não é só cantar. Tem de dançar, interpretar. Os homens brasileiros são muito travados, acham que dança é coisa de homossexual. Dança é coisa de ser humano. É como a Madonna. Não canta muito bem, mas o que ela faz no palco compensa..."
Os modelos seguidos pelos candidatos podem se tornar irritantes. Há quem se suponha capaz de imitar Luciano Pavarotti, outros gostam de Cássia Eller, mas, há mais um ponto em que os jurados estão de acordo. Whitney Houston ainda é a mais imitada.
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