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Música
Terça, 7 de outubro de 2003, 15h06 
Livro narra a saga dos DJs no Brasil
 
Divulgação
DJ Marky deu depoimentos para o livro
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    A história dos DJs no Brasil está sendo contada pela primeira vez num livro que começa no final dos anos 50, seguindo a trilha dos discotecários pelos bailes sem orquestra, festas black e funk, boites moderninhas do Rio de Janeiro e São Paulo, até chegar aos inferninhos e raves do século 21.

    Todo DJ já Sambou - A história do disc-jóquei no Brasil, que chega às livrarias na próxima semana pela editora Conrad, foi escrito pela jornalista Claudia Assef ao longo de cerca de cinco meses e mais de 100 entrevistas.

    Pelas 254 páginas do livro estão espalhadas fotos de hoje e de ontem, filipetas de baladas históricas e capas de álbuns inesquecíveis.

    Na primeira foto, três sujeitos sisudos e engravatados trocam o disco numa vitrola. Um deles, Osvaldo Pereira, hoje com 68 anos, é chamado pelo livro de "o primeiro DJ do Brasil".

    Era ele quem comandava aos domingos a "orquestra invisível" do Clube 220, no Edifício Martinelli, e, mais tarde, a do salão Ambassador, na avenida Rio Branco, ambos em São Paulo. Com uma vitrola Torris e um sistema de som, Pereira conseguia fazer um baile num salão fino sem os músicos da orquestra, barateando a entrada para o povão.

    O repertório era praticamente o mesmo dos bailes tradicionais mais famosas da época - Glenn Miller, Stan Getz, Ray Charles, Frank Sinatra, Ray Conniff -, mas com o passar do tempo, já nos anos 60, o samba-rock foi tomando o lugar nas vitrolas.

    As "orquestras invisíveis" evoluíram em equipes de som, que reinaram por muito tempo até a figura do DJ se desvincular e comandar a festa sozinho. Uma das equipes mais conhecidas em São Paulo era a Chic Show, que contou com o DJ Grandmaster Nery, sobrinho de Pereira. Entre as cariocas, quem dominava era a Furacão 2000.

    Bailes funks e de branquelos
    Do Rio, Assef resgata boas histórias de Big Boy, "o primeiro brasileiro a ficar conhecido no país todo como disc-jóquei", principalmente depois que migrou da rádio para TV.

    Junto com o DJ Ademir Lemos, os dois foram os precursores dos bailes funks cariocas, nos anos 70, com o Baile da Pesada, no Canecão.

    Das periferias e subúrbios do Rio e São Paulo, Assef dá um pulo nas festinhas da "classe média branca", que no final dos anos 70 se acabava ao som da disco music.

    Aparecem aqui a Frenetic Dancin's Days - da onde surgiram as Frenéticas -, New York City Discothèque, Hippopotamus, Banana Power, Gallery, Aquarius, Regine's e outras.

    Mais pra frente, aparecem também a Toco - principal casa da zona leste paulistana, da onde saíram Marky, Iraí Campos e Ricardo Guedes -, Madame Satã, Napalm (ambas de SP) e Crepúsculo de Cubatão (Rio) - famosas pelas "pistas escuras, ao som de rock inglês".

    DJs na Xuxa
    Entre passagens marcantes para a música eletrônica no país, Assef conta qual foi o primeiro disco mixado por aqui, o primeiro selo específico para o gênero, a primeira turnê nacional de DJs, o primeiro phaser, o primeiro back-to-back, e assim por diante.

    Um dos aspectos curiosos é como os músicos faziam para obter as novidades de discos que não chegam no país.

    "(No Rio) tinha uma verdadeira máfia de distribuição. Os discos eram trazidos na moita por comissário de bordo, que, por sua vez, repassavam para os lojistas", relata o DJ e produtor Grego.

    O ponto alto de Todo DJ já Sambou são as entrevistas com Marky, Patife, Xerxes e Mau Mau, este último contando os primórdios do underground da música eletrônica, no primeiro afterhours semanal do país, o Hell's.

    Outros momentos curiosos do livro - e às vezes embaraçosos para seus personagens - são as lembranças que Marlboro e Marky chegaram a ser DJs do programa da Xuxa, enquanto que Mau Mau e Mad Zoo começaram a vida na música como dançarinos de break - tem até uma foto de Mau Mau dançando fantasiado de "transformer azul".
     

    Reuters

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