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Tim Festival
Segunda, 6 de outubro de 2003, 10h23 
"O futuro a Deus pertence", diz Marcelo Camelo
 
Luciano Ribeiro
 
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Não tente pôr nos ombros do carioca Marcelo Camelo, vocalista e guitarrista do grupo Los Hermanos, o peso de qualquer fardo. O jovem autor mais celebrado atualmente no cenário rock-pop nacional recusa, sabiamente, a comparação com Chico Buarque, feita por alguns críticos: "Continuo ouvindo muito o que ele faz e a comparação não tem fundamento".

Experimente definir o rapaz como poeta e verá em seu olhar um certo desconforto: "Todo mundo que escreve letras pode ser considerado poeta, mas, se essa palavra vem com uma pompa maior, então eu rejeito. Não quero ter essa responsabilidade".

Nem sugira que, apesar de seu vigoroso talento de cancioneiro, de sua capacidade rara de achar a melodia das palavras, seria inevitável, cedo ou tarde, a carreira de compositor fora do Los Hermanos: "Aprendo demais com meus amigos, todos são muito talentosos e confio neles para fazer os arranjos para as minhas músicas e para as do Rodrigo (Amarante). É com eles que quero seguir".

Aos 25 anos, três álbuns na bagagem, Camelo parece encarnar os seguintes versos de O vencedor, escrita para Ventura, o mais recente álbum do Los Hermanos. "Eu que já não quero mais/ Ser um vencedor/ Levo a vida devagar/ Pra não faltar amor". Para muitos o jovem alto, magro e barbudo, filho de pais de classe média, tornou-se o principal compositor de sua geração, o autor mais interessante a surgir no rock desde o fim dos anos 80.

Sem se filiar a qualquer movimento estético e sem pretender apontar novos caminhos, Marcelo Camelo vem confundindo quem tenta entendê-lo de forma cerebral. Ele garante não querer fazer melhores e sim mais bonitas as canções, que parecem trabalhadas a ponto de exprimir o último suspiro de melancolia ou alegria.

Filho do underground, escreveu canção na voz feminina, prática comum entre os autores da MPB e tabu entre roqueiros. Chegou a ouvir piadas dos integrantes da própria banda. A cantora Maria Rita, 26, nova sensação na música brasileira, percebeu que bastava raspar a superfície roqueira de suas canções para encontrar aí valsas, boleros e sambas. Talvez ela perceba no rapaz a grandiosidade que sua mãe, a cantora Elis Regina, enxergava em Milton Nascimento e na dupla João Bosco e Aldir Blanc. Em seu disco de estréia, recém-lançado, Maria Rita quis incluir sete faixas de Camelo. Bateu o martelo em três, sendo duas inéditas, o samba Cara valente e a emocionante Santa chuva, que haviam ficado de fora de Ventura.

"Primeiro, adorei as letras, depois comecei a me impressionar também com a melodia e a estrutura. Fiquei completamente apaixonada. Marcelo Camelo é um dos compositores da nova geração em que letra e música nunca estão aquém uma da outra. É sempre tudo muito casado. Isso faz com que ele passe um comprometimento, um cuidado louvável. Além, lógico, da sensibilidade de sua poesia. Sou a maior fã", declara a cantora, que morava em Nova Jersey (EUA) quando o chiclete Anna Julia, gravada até por George Harrison, empurrou a vendagem do primeiro disco do grupo, Los Hermanos, de 1999, à marca de 250 mil cópias.

Nos shows que fez antes da estréia em disco, no Mistura Fina, na Lagoa, Maria Rita não deu sinal de conhecer a obra do hermano. Mas o produtor Tom Capone tratou de apresentá-la ao disco Bloco do eu sozinho (2001), o segundo do grupo, classificado de experimental somente por trazer arranjos originais para bonitas melodias. Além de Maria Rita, Erasmo Carlos e as cantoras Renata Gebara e Helena Monteiro já o gravaram.

Também Caetano Veloso, que escolheu o grupo para interpretar sua canção Lisbela, tema do filme Lisbela e o prisioneiro, é outro entusiasta da obra do rapaz. Na participação que fez na entrega do VMB, o Oscar da MTV, o compositor baiano chegou a usar barba postiça como referência à dos integrantes do Los Hermanos. Camelo, no entanto, continua disposto a ser uma anticelebridade: "Fico feliz com tudo o que vem acontecendo, mas o fato, por exemplo, de Maria Rita ser filha da Elis é secundário. O que importa é essa menina ter-se emocionado com as minhas músicas e ter cantado de forma tão bonita, com tanta propriedade", diz.

Camelo acaba de chegar da Europa, onde fez em setembro shows com a banda - três em Portugal e outro na Espanha. O autor de Conversa de botas batidas, De onde vem a calma, Samba a dois, Cadê teu suin-?, Veja bem meu bem e Adeus você conta que a procura por suas músicas tem aumentado. E, embora não descarte a possibilidade de ajudar a abastecer a MPB, revela não ser um autor de muitas canções: "Não sou um compositor numeroso, não guardo 30 inéditas. Quase nada sobra além das que vão nos álbuns", afirma.

O rapaz tem fala mansa, olhar levemente angustiado, é fumante, observador, inteligente e hesita em citar nomes de pessoas que admira na música ou na literatura e é esperto o bastante para responder às questões sem se expor. Quando perguntado, por exemplo, sobre o fato de suas melodias muitas vezes lembrarem uma pessoa sofrida, responde: "Não se pode tentar tomar a vida por uma ótica. Sou feito de vários momentos, um cara com problemas e soluções. Não me sinto responsável por nada. Não ponho minhas músicas dentro de um panorama, faço canções para me sentir feliz e isso me basta. Não carrego nenhum peso comigo, não tem nada de doloroso".

Atualmente morando sozinho na Lagoa, Camelo passou pelas bandas de garagem Drive By, Barnabé e Minanina's Popcorn antes de fundar o Los Hermanos com os amigos do curso de Comunicação da PUC. Kassin, produtor de Ventura, lembra ter conhecido o rapaz há quase uma década, quando o cantor foi entrevistá-lo. Camelo escrevia num fanzine de música e Kassin tocava no grupo Acabou La Tequila, uma das maiores influências dos hermanos.

"Desde que ouvi a primeira demo do grupo achei sensacional. E, com o tempo, o Marcelo ficou mais fluente, produtivo, passando a dominar a arte de compor. Suas canções têm vínculo com a MPB tradicional e, por isso, muitos acreditam que nasceu o novo Chico Buarque", diz o baixista Kassin.

O parceiro Rodrigo Amarante define o amigo, "Marcelo é introspectivo, muito disciplinado. Ele senta com papel, caneta, violão e transforma as coisas do coração em algo concreto, em música. Já eu tenho vários fragmentos de letras e melodias que nunca termino. Marcelo se dedica ao trabalho, é responsável e consegue transformar isso em arte".

A intuição de pôr a MPB em moldura rock chamou a atenção do crítico Tárik de Souza, do Jornal do Brasil: "Marcelo tem a essência da música brasileira e mostra isso dentro de uma banda de rock. Já no primeiro disco havia referências a Lamartine Babo. A MPB está numa espécie de gueto. Artistas como Guinga ficam num mundo bastante restrito. Djavan e João Bosco foram talvez os últimos compositores sofisticados a terem suas músicas cantadas pelo grande público. As canções de Camelo trazem a tradição dentro do idioma da sua geração. Elas são muito elaboradas, buriladas e parecem simples ao mesmo tempo, o que caracteriza o grande autor".

Apesar disso, Camelo nunca gravou qualquer canção no violão. Será inevitável, com o tempo, a adoção total ao instrumento? "Não tenho a menor idéia. O futuro a Deus pertence", diz Camelo, que se apresenta com sua banda no Museu de Arte Moderna do Rio no dia 30, dentro do TIM Festival.

O filme Castanho, com a trilha sonora original do Los Hermanos, será exibido nesta terça, às 21h30, no Estação Botafogo 1, no Festival do Rio.
 

Jornal do Brasil
 
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