| Reprodução/Divulgação |
 Detalhe da capa de Tour de France Soundtracks |
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Após 17 anos sem lançar um álbum, o Kraftwerk volta ao mundo fonográfico com Tour de France soundtracks (EMI). Tanto no título quanto em várias das 12 faixas, o trabalho faz alusão ao single Tour de France, de 1983, hino da dança break. O CD tem dividido a crítica mundial - e eu fico com a ala que o acha bom.
Não é fácil ser o pai de um gênero e, 33 anos depois, quando sua invenção já se banalizou, ainda ter algo de interessante para mostrar. O grupo alemão liderado por Ralf Hütter, 56, e Florian Schneider, 55, fundiu o erudito e a mídia digital para criar uma nova forma de linguagem musical pop: a eletrônica.
Techno? House? Drum'n'bass? Trance? Trip hop? Ambient? Electro? Praticamente, qualquer subgênero da e-music tem alguma coisa do Kraftwerk em seu código genético, sendo que nenhum artista ou grupo eletrônico possui o humor negro dos mestres germânicos. Eles estão para a música eletrônica como os Beatles estão para o pop rock, se é que você me entende, homeboy.
Em outubro de 1998, no Rio, numa das melhores noites da história do extinto Free Jazz, o Kraftwerk dividiu um dos palcos/tendas com a banda inglesa Massive Attack. Eu, como muita gente, estava mais ansioso em ver o Massive, verdadeira alien-mãe do trip hop (naquele momento, um estilo ainda hypado).
Quebrei a cara. Integrando música e imagem, os conterrâneos do rei Schumacher brilharam com seus robôs, computadores, som quadrifônico, roupa fosforescente, etc. Uma impressionante modernidade atemporal (pense como era ver o grupo na época de Autobahn, em 74!) que eclipsou o show do Massive Attack, em seguida.
Tour de France soundtracks, que remete também à mais importante competição de ciclismo do mundo (Tour de France, completando cem anos), é uma obra que reitera a base conceitual do grupo: a relação homem-máquina. Todo trabalho do Kraftwerk é, por assim dizer, variação sobre o mesmo tema. Coisa de robô.
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