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Música
A riqueza de "Abbey Road", faixa-a-faixa
 
Rafael Spuldar
 
Divulgação
Os Beatles em sua última sessão de fotos (22/8/1969)
Os Beatles em sua última sessão de fotos (22/8/1969)
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» Antes de 'Let It Be... Naked', 'Abbey Road' faz 34
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O produtor George Martin considera Abbey Road o melhor disco que os Beatles fizeram. E não é por menos: ele é o mais bem acabado de todos, um dos mais cuidadosamente produzidos (comparável somente a Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band). Sua estrutura foi bastante pensada e discutida, e as visões discordantes dos integrantes da banda só contribuíram para a riqueza da criação final.

Como já foi dito, o lado A foi criado como John Lennon pretendia. Ele é formado de músicas independentes entre si, cada uma com uma força individual muito específica, marcada pela personalidade de seus compositores (cada beatle tem pelo menos uma música neste lado). A abertura e o fechamento ficaram a cargo de Lennon: para abrir, ele usou uma de suas canções mais poderosas (Come Together); para fechar, a escolha foi menos convencional (I Want You (She's So Heavy)).

O lado B é o momento mais glorioso de Abbey Road, graças a uma idéia de Paul McCartney (co-executada por George Martin). A seqüência de juntar músicas inacabadas criadas por ele e John Lennon em um enorme pout-pourri foi uma das grandes criações de Paul dentro dos Beatles, senão a maior. Esta junção de peças desconexas gerou um tecido musical estranhamente coerente e irresistível. No entanto, assim como Sgt. Pepper's, considerar Abbey Road um disco conceitual é um engano.

Também foi em Abbey Road que George Harrison se firmou como um compositor de primeira linha. Após anos vivendo sob a sombra de Lennon e McCartney, ele finalmente emplacou dois grandes sucessos com este álbum: Here Comes the Sun e Something. Ambas foram regravadas incessantemente ao longo dos anos, sendo que Something chegou a ser apontada como a segunda música mais interpretada no mundo, atrás somente de Yesterday.

Este disco foi marcado pelo uso de novos recursos tecnológicos que estavam surgindo na época. Um deles foi o sintetizador Moog, que começava a ser utilizado em maior escala dentro do rock. Ele possibilitava que virtualmente qualquer som fosse gerado eletronicamente. O Moog pode ser notado claramente em músicas como Here Comes the Sun e Because. Por seu trabalho em Abbey Road, os engenheiros de som Geoff Emerick e Phillip McDonald ganharam o Grammy.

Veja uma análise faixa-a-faixa das músicas que compõem o álbum Abbey Road:

Lado A

Come Together - A música que abre Abbey Road é uma das marcas registradas de John Lennon. Ela foi feita a pedido do guru do LSD Timothy Leary, que concorreria a governador da Califórnia. A inspiração política não veio, mas Lennon terminou a música e a incluiu no disco. A "luz" veio de uma canção de Chuck Berry, da qual John copiou inclusive parte de um verso. No entanto, o arranjo dos Beatles é mais arrastado, onde o baixo se sobressai, com toques marcantes de guitarra. Anos depois, Lennon admitiu a "influência" e foi levado à Justiça, mas a ação acabou em um acordo.

Something - A famosa balada de George Harrison é o ponto alto do primeiro lado do disco. Ela representou a maturidade de George como compositor, marcada por uma melodia belíssima e pelo famoso estilo de guitarra do "beatle místico". Primeira música de Harrison a ser lado A de um single, Something foi regravada por Frank Sinatra, que a considerava uma das grandes canções de amor da segunda metade do século 20. Já Michael Jackson, que nos anos 80 comprou os direitos das músicas Lennon/McCartney, confidenciou a Harrison que gostaria de ter a balada em seu catálogo.

Maxwell's Silver Hammer - Esta canção de McCartney foi um dos motivos de brigas durante as sessões - fato confirmado por fontes oficiais e não-oficiais. Segundo consta, os outros beatles reclamaram do tempo levado para a gravação (três dias inteiros). Paul argumentava que apenas queria "tudo dando certo". Apesar da melodia agradável, Maxwell's Silver Hammer conta, através de versos cheios de humor negro, a história de um maníaco homicida. Paul estava convencido de que ela seria um sucesso, o que acabou não ocorrendo.

Oh! Darling - Esta canção de Paul é mais uma brincadeira ao estilo dos anos 50 do que uma composição a ser levada a sério. Toda a banda parece se divertir, e a qualidade dos Beatles como músicos fizeram de Oh! Darling um número famoso. Para poder realizar o vocal gritado e rasgado que caracteriza a música, McCartney realizava apenas uma gravação dela por dia, no início da manhã, para que sua voz tivesse a força necessária.

Octopus's Garden - Segunda colaboração de Ringo Starr para a banda como compositor (a primeira havia sido Don't Pass Me By, do Álbum Branco). A exemplo da primeira, esta canção tem uma melodia fácil e uma letra um tanto tola, mas a simpatia de Ringo e a competência dos outros beatles em acompanhá-lo tornaram Octopus's Garden um número muito querido entre os fãs ao longo dos anos.

I Want You (She's So Heavy) - A composição menos convencional de John Lennon em Abbey Road. Uma das músicas mais longas dos Beatles (com 7 minutos e 47 segundos), é formada por duas melodias inacabadas, unidas em uma só canção. Teoricamente esta é uma canção de amor, mas a fúria e a levada de blues levam I Want You para um outro nível. Detalhe: o fim abrupto deveria representar a morte súbita de Paul, em 1966 (clique aqui e veja o item "Paul está morto").

Lado B

Here Comes The Sun - Este é outro grande sucesso de George Harrison em Abbey Road, regravado inúmeras vezes ao longo dos anos. O clima cheio de otimismo desta música tem uma explicação: ela foi composta no jardim da casa de Eric Clapton, em uma dia que Harrison tirou para descansar dos problemas vividos na gravadora Apple. Na letra, o "longo e frio inverno" representa a empresa. Aqui pode se notar a presença forte do sintetizador Moog, muito usado em Abbey Road.

Because - Uma das mais belas harmonias da história do rock, comparável somente aos grandes momentos dos Beach Boys. Na gravação, as vozes de John, Paul e George entram cada uma em três canais, criando uma sonoridade peculiar. É a introdução perfeita para o medley que começa em seguida. Curiosidade: Because é a trilha sonora dos créditos finais de Beleza Americana (1999), filme de Sam Mendes.

You Never Give Me Your Money - Aqui começa a grande obra de Abbey Road, o pout-pourri formado pelas canções inacabadas de John Lennon e Paul McCartney. Esta foi criada por Paul: a letra é pessimista e mal disfarça sua insatisfação com os rumos da banda, principalmente os financeiros - culpando seu agente na época, Allen Klein.

Sun King - Um número curioso criado por Lennon, formado pelo verso "Here Comes the Sun King" ("lá vem o Rei-Sol"), seguido por várias palavras em espanhol, italiano e outras simplesmente inventadas, sem nenhuma conexão entre si. Os vocais lembram Because, mas não são tão elaborados.

Mean Mr. Mustard e Polythene Pam - Ambas as músicas são de John Lennon. A primeira é uma sobra de Sgt. Pepper's. Com um tempo de valsa e uma letra bem-humorada, ela fala sobre um vagabundo das ruas de Londres ("mau senhor Mostarda"), cuja irmã seria a Polythene Pam da canção seguinte. Para compor, Lennon se inspirou no encontro que tivera anos antes com um amigo poeta de Liverpool e sua mulher. Na ocasião, ela estava vestida com uma roupa de polietileno.

She Came In Through The Bathroom Window - A origem desta canção de Paul McCartney nunca foi confirmada. Reza a lenda que, em Nova York, Linda deu sua filha Heather, então uma criança pequena, para o namorado Paul cuidar enquanto ia ao trabalho. Quando Linda voltou ao apartamento, o músico estaria tão drogado (dizem as más línguas, de heroína - ele nunca admitiu ter usado a droga) que não deixava a futura mulher abrir a porta. Ela então teve de usar a escada de incêndio e entrar pela janela do banheiro. Verdade ou não, esta história rendeu um dos rocks mais interessantes da carreira de Paul nos Beatles, com uma letra cheia de signos e gozações.

Golden Slumbers e Carry That Weight - Estas são duas das mais conhecidas músicas de McCartney em Abbey Road. A primeira foi criada após o beatle ter visto em um livro a letra de uma canção de mesmo nome, criada no século 17. Já que não teria problemas com os direitos autorais, Paul resolveu criar sobre a letra antiga uma melodia semelhante a uma canção de ninar. A versão que está no disco tem McCartney ao piano, acompanhado de Ringo Starr na bateria e uma orquestra com cordas e sopros.

Carry That Weight segue logo após Golden Slumbers, e é composta de apenas dois versos cantados pelos quatro beatles, com um arranjo semelhante ao da música anterior. No meio, ela ainda tem uma volta ao tema de You Never Give Me Your Money. As duas canções têm presença constante nos últimos shows de Paul McCartney.

The End - O título desta música de Paul McCartney diz tudo: ela não só fecha o disco, mas também a carreira dos Beatles antes da separação. Os destaques dela são o solo de bateria de Ringo Starr (o único de sua carreira, e um dos primeiros registrados na história do rock) e o verso final, considerado o epitáfio da banda, que diz: "And in the end/The love you take/Is equal to the love you make" ("e no fim/o amor que você leva/é igual ao amor que você faz").

Her Majesty - Esta é a "faixa escondida" de Abbey Road. Ela surge após um silêncio no fim de The End e dura apenas alguns segundos, com Paul cantando acompanhado do violão. Ela foi criada após os Beatles terem recebido os títulos de Membros do Império Britânico (MBE) das mãos de Elisabeth II, em 1965.
 

Redação Terra
   
 
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