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Música
Terça, 17 de outubro de 2006, 12h20 
Mariana Aydar dá tratamento moderno ao samba
 
Mauro Ferreira
 
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Mais uma cantora chega ao mercado fonográfico com repertório voltado para o samba. Se a carioca Mariana Baltar ofereceu abordagem mais tradicional do gênero em seu recém-lançado primeiro CD, Uma Dama Também Quer se Divertir, sua colega paulista de nome semelhante, Mariana Aydar, dá tom mais contemporâneo ao samba em Kavina 1, sem exagerar na dose eletrônica.

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Kavina 1 lembra a irretocável estréia de Roberta Sá em 2005 com Braseiro, pela combinação harmônica de canto, arranjos e repertório. Filha do compositor Mário Manga, Aydar se revela cantora segura, de gosto apurado e fraseado impecável, como pode ser comprovado na sua interpretação de Deixa o Verão, tema do hermano Rodrigo Amarante.

É fato que muito do mérito do CD repousa nas mãos do produtor BiD, responsável pela excelência dos arranjos. Em Vento no Canavial, música de João Donato regravada com a presença do autor ao piano e ao trombone, BiD consegue simular ventania com seus efeitos.

Zé do Caroço é outro exemplo do feliz tratamento dado ao repertório. Com percussão mais econômica, o samba de Leci Brandão tem realçada a mensagem social da letra, cantada por Aydar em dueto com a autora. Zé do Caroço ganha banho de loja e parece outra pessoa.

Felizmente, a inspiração dos arranjos não empana o canto de Aydar, que esbanja suingue em Menino das Laranjas, samba de Théo de Barros popularizado por Elis Regina nos anos 60, e evoca a vertente afro da obra de Clara Nunes em Candomblé (Edmundo Souto, Danilo Caymmi e Paulo Antônio).

O disco seria perfeito se Aydar tivesse resistido à tentação de se apresentar como compositora. Festança - parceria da artista com Duani, multiinstrumentista que assina a produção de três das 11 faixas - é a música mais fraca de um repertório aberto esplendidamente com releitura de Minha Missão (João Nogueira e Paulo César Pinheiro) e fechado de forma igualmente primorosa com Maior É Deus, outro samba letrado por Paulo César Pinheiro, no caso sobre melodia de Eduardo Gudin. Entre as duas obras-primas, um refrescante tema litorâneo de Chico César, Prainha.

Como Roberta Sá em Braseiro, Mariana Aydar exala frescor em Kavina 1. Se entender que sua área de atuação é o canto, e não a composição, tem tudo para se firmar em escala nacional.
 

O Dia

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