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Grammy Latino 2004
Domingo, 29 de agosto de 2004, 16h41 
Som alternativo se destaca entre os candidatos ao Grammy Latino
 
Agência Zero/Divulgação
O cantor e compositor Alejandro Sanz é um dos concorrentes ao prêmio
O cantor e compositor Alejandro Sanz é um dos concorrentes ao prêmio
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O som mais alternativo da música latina se tornou a salvação do chamado "boom latino", algo que neste ano se refletiu na lista de candidatos ao Grammy Latino.

Os principais prêmios da música latino-americano, cuja entrega está prevista para a próxima quarta-feira em Los Angeles, mostram a mudança neste campo artístico nos cinco anos de história do prêmio.

Nomes como os de Ricky Martin, Luis Miguel e Paulina Rubio, antes considerados o melhor reflexo da febre musical latina no mercado americano, ficaram nesta edição com apenas uma indicação cada um e em categorias menores.

A lista de candidatos desta quinta edição é dominada pelas notas alternativas do rock mexicano do Café Tacuba ou do flamenco com tom de bolero de Bebo Valdés e Diego El Cigala.

Além do veterano do pop Alejandro Sanz, competem pelo prêmio de melhor álbum do ano revelação do ano passado Maria Rita Mariano e o único candidato latino do Alaska, Kevin Johansen.

São artistas nem sempre reconhecidos pelo grande público, mas que estão ganhando o mercado americano em um momento em que o fracasso do chamado "crossover" (cruzamento da música latina com ritmos mais comerciais) parecia alivar o ímpeto comercial que cercou a música hispânica nos últimos anos.

"Existe uma música muito boa por aí que na maioria das vezes não chega a ser escutada", afirmou Tomas Cookman, fundador da Conferência de Música Alternativa Latina, recentemente realizada em Los Angeles.

Trata-se de uma penetração mais lenta que a dos ritmos "pop-latinos" que se destacaram no mercado há alguns anos, mas a qualidade destes novos grupos está garantindo uma lista de fãs cada vez maior.

Segundo Joe Levy, da revista Rolling Stone, a última explosão musical latina foi um fenômeno comercial, não necessariamente cultural.

"A explosão do rock latino foi orquestrada pela Sony. Eles puseram os explosivos, o pavio e empenharam toda sua maquinaria de mercado para conseguir seu objetivo", disse a imprensa.

O resultado desta estratégia lançou os nomes de Ricky Martin, Marc Anthony, Jennifer López e Shakira, todos eles parte do selo Sony, que foram seguidos por outras figuras, como Enrique Iglesias e Christina Aguilera, entre outros.

Um "crossover" no qual o sucesso parecia garantido, suavizando a latinidade e com letras em inglês, uma miragem que não foi se ofuscando, como deixou de lado os fãs mais fiéis da música latina, os cidadãos que falam espanhol.

Agora muitos desses artistas voltaram para suas origens hispânicas, depois de venderem menos do que antes, com seus álbuns fabricados para entrar no mercado dos Estados Unidos.

Ainda assim, a música latina continua sua ascensão no país e embora o ritmo seja mais lento do que a explosão de que tanto se falava, as vendas continuam subindo.

Apenas no último ano, os artistas latinos venderam 17% a mais que no anterior, percentagem que é mais do que o dobro do aumento das vendas da indústria fonográfica em geral.

A mudança mais significativa é de nomes. Se há alguns anos o grupo mexicano de pop-rock Maná se encarregou da música da campanha de uma popular cerveja americana, agora ela passou para o dueto Plastilina Mosh.

O Kinky, o grupo mexicano de eletro-pop que lidera as indicações ao Grammy Latino, também domina o campo da publicidade nos Estados Unidos, com a música Mas" para uma empresa automobilística.

Além desses artistas, os Lonely Boys, mistura de Tex-Mex e rock, e a cantora Amanda Pérez, entre outros, são atualmente considerados pela crítica como o futuro da música latina nos Estados Unidos.

"Não são produto de alguma coisa fabricada, mas saem de uma nova geração bilíngüe e bicultural cuja vida já é uma fusão", opina o jornal Los Angeles Times.
 

EFE

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