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Números iluminados estão sendo vistos em dois edifícios de Miami esta semana, numa iniciativa artística que visa celebrar a liberdade de expressão e o fato de a cerimônia do Grammy Latino acontecer este ano em Miami, cidade que procura livrar-se de sua fama de intolerância.
Toda noite vários números luminosos são projetados no Freedom Tower, em frente ao local onde será realizado o Grammy Latino na quarta-feira, e sobre o vizinho edifício Vitas.
De acordo com os organizadores do projeto, os números representam uma série de datas e cifras relacionadas à liberdade de expressão nos Estados Unidos e no resto do hemisfério norte.
Realizado pelo artista George Sanchez Calderón, o Projeto Números foi encomendado pela organização de defesa das liberdades civis Fundação Povo a Favor do Caminho Americano e pela Fundação Nacional Cubano-Americana, formada por exilados cubanos e dona do Freedom Tower.
O projeto realça os esforços de Miami para se desvincular de um passado no qual muitos integrantes da grande comunidade de exilados cubanos eram vistos como fanáticos devido a sua oposição violenta não apenas ao presidente comunista cubano Fidel Castro, mas também a qualquer um que defendesse o regime cubano.
Há apenas dois anos o Grammy Latino teve de ser transferido às pressas da cidade de maioria hispânica porque os organizadores temiam que protestos de manifestantes anticastristas contra a presença de artistas cubanos pudessem prejudicar o evento.
O diretor na Flórida da Fundação Povo a Favor do Caminho Americano, Jorge Mursuli, contou que o display de números é uma celebração de Miami e o multiculturalismo e liberdade de expressão da cidade. Queremos evoluir como comunidade, disse.
Cada número tem um significado
No display, o "1" assinala a primeira emenda constitucional dos EUA, que garante aos norte-americanos o direito à liberdade de religião, expressão, reunião e a liberdade de imprensa.
O "0" representa o número de canções tocadas na rádio nacional cubana desde 1960 da cantora Celia Cruz, exilada cubana que era conhecida como rainha da salsa e morreu em julho.
Vários dos números estão relacionados à repressão da liberdade de expressão em Cuba, outros, aos exilados cubanos.
"1976"' é o ano em que o comentarista de rádio cubano-americano Emilio Milian, que era contra as táticas violentas dos exilados, sobreviveu a um atentado com carro-bomba em Miami que lhe levou as pernas.
Já houve grande oposição entre os exilados cubanos a qualquer apresentação de artistas que vivem em Cuba, e até 2000 havia um regulamento local que proibia essas apresentações.
Ainda estão previstos protestos na quarta-feira em frente ao local onde a cerimônia do Grammy Latino vai acontecer, mas é muito possível que os indicados cubanos nem sequer apareçam, devido ao atraso na concessão de seus vistos de entrada no país.
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