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O ministro brasileiro da Cultura Gilberto Gil será homenageado como Personalidade do Ano 2003 durante jantar esta quarta, véspera da entrega dos prêmios Grammy Latinos, em Miami.
A homenagem a Gil, premiado com um Grammy e dois Grammys Latinos em edições anteriores, "é um tributo à (sua) vida profissional, cultural e social", segundo informações da Academia Latina de Artes e Ciências de Gravação (Laras, sigla em inglês).
"Pelo caráter internacional da Academia Latina de Gravação, a pessoa escolhida é aquela que alcançou um impacto global nos campos da música e da cultura", disse Gabriel Abaroa, presidente da Academia. "Ninguém cumpre com estes requisitos de maneira mais completa que Gilberto Gil. É uma verdadeira honra para a Academia Latina de Gravação poder homenagear este pioneiro que, com grande paixão, uniu povos através de sua música", continuou.
Durante o jantar, haverá um show único e um leilão eletrônico que incluirá suvenires e peças de coleções de arte. Uma parte da arrecadação do evento será destinada aos programas de assistência da Laras.
Gil é a quarta pessoa homenageada com o tributo, que foi recebido anteriormente por Julio Iglesias, Vicente Fernández e Emilio Estefan Jr.
Na quarta-feira, noite de entrega dos prêmios, o glamour da festa será afetado pela polêmica provocada pela ausência quase certa de artistas cubanos indicados como Ibrahim Ferrer e Eliades Ochoa - famosos após o filme Buena Vista Social Club - o pianista e intérprete de jazz Chucho Valdés e a orquestra de salsa Los Van Van.
Realizada pela primeira vez em Miami, cidade onde onde vivem 700 mil pessoas de origem cubana - a maioria exilados -, a festa pode se tornar o pano de fundo para protestos de manifestantes favoráveis e contrários ao regime de Fidel Castro.
De um lado, alguns exilados anti-Fidel se mostraram dispostos a protestar contra a presença dos artistas cubanos, aos quais chamam de aduladores de Fidel. Do outro, organizações consideradas pró-Fidel prevêem para esta quarta-feira protestos contra a ausência dos artistas cubanos perto do American Arena, onde se realizará a festa.
Para alívio dos organizadores, que nas três edições anteriores dos Grammy Latinos evitaram realizá-la em Miami precisamente por medo dos protestos dos exilados, é improvável que algum dos artistas cubanos esteja presente em Miami, já que segundo informações divulgadas por fontes oficiais americanas até o início de agosto não foram recebidos os pedidos de visto.
A posição oficial americana é repudiada pelo governo cubano. "Solicitamos aos diretores do Grammy Latino as cartas de convite para os artistas cubanos (indicados aos prêmios)", declarou em 6 de agosto passado ao semanário cultural cubano La Jiribilla o vice-ministro cubano da Cultura, Abel Acosta. Para ele, a ausência destes artistas deve ser atribuída à "censura cultural" dos exilados anti-Fidel ou das autoridades americanas.
Já os brasileiros terão presença de peso na festa da música latina. Dono de grande sucesso entre a comunidade hispânica com suas músicas de pop romântico cantadas em espanhol, o ex-pagodeiro do Só Pra Contrariar, Alexandre Pires, foi convidado a se apresentar como um dos destaques da cerimônia. Outros artistas, como o porto-riquenho Ricky Martin, convidado especial da noite, a cantora pop mexicana Thalia, a banda multinacional Bacilos, e o cantor espanhol Enrique Iglesias, darão brilho à festa.
O ex-campeão de Fórmula 1 e Fórmula Indy Emerson Fittipaldi será um dos apresentadores, junto com o comediante George Lopez, a atriz de origem cubana Daisy Fuentes e a cantora de jazz Natalie Cole. A lendária Celia Cruz, falecida recentemente, será homenageada durante a cerimônia.
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