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O governo de Cuba atribuiu nesta segunda-feira a um "apartheid cultural" contra os músicos da ilha a provável ausência dos candidatos cubanos aos Grammy Latino na festa de entrega de prêmios, marcada para a próxima quarta-feira em Miami.
Cerca de dez músicos cubanos residentes na ilha que concorrem aos prêmios da Academia Latina da Arte e da Indústria Fonográfica (Laras) ainda estão esperando o visto para viajar aos Estados Unidos e poder participar da cerimônia na American Airlines Arena de Miami.
O veterano Ibrahim Ferrer, candidato ao Grammy Latino pelo disco Buenos Hermanos, qualificou de "absurda" a polêmica criada em Miami devido à participação dos artistas da ilha.
"Cabe a nós estar ali (...) obstaculizar é um erro, uma discriminação", disse um dos mais conhecidos artistas do grupo Buena Vista Social Club à agência oficial cubana Prensa Latina.
Vários dos artistas cubanos indicados para o Grammy Latino deram declarações similares nos últimos dias, reivindicando o direito de assistir à cerimônia.
O jornal oficial Granma denunciou, nesta segunda-feira, que os músicos da ilha foram vítimas de um "vergonhoso apartheid cultural", em artigo intitulado "Há algo de podre no reino de Laras", do jornalista Pedro de la Hoz.
O artigo lembra que os candidatos foram selecionados pelo voto de 4 mil artistas, promotores, empresários e técnicos da Academia, e reivindicou o direito dos artistas residentes na ilha de participar do evento.
"A razão da ausência é muito simples: eles foram deliberadamente excluídos", acrescentou.
"A comunidade artística ibero-americana, incluindo as pessoas honestas que nos Estados Unidos valorizaram a música latina, não deve permanecer indiferente diante destes atos de exclusão", concluiu.
As autoridades cubanas acusaram a organização dos prêmios Grammy de ter entregue com atraso os convites aos músicos cubanos, enquanto funcionários da administração americana insistem em que os pedidos de visto não foram apresentados a tempo.
Além de Ibrahim Ferrer, estão na lista de indicados cubanos residentes na ilha o pianista Chucho Valdés e o grupo Van Van, entre outros músicos.
A possível presença de artistas residentes em Cuba na cerimônia de Miami havia provocado duras críticas por parte dos grupos de exilados cubanos, que ameaçaram fazer manifestações em frente ao local do evento.
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