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Grammy Latino 2003
Segunda, 1 de setembro de 2003, 12h48 
Molotov vai tocar sem censura no Grammy Latino
 
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A banda mexicana Molotov vai tocar ao vivo e sem papas na língua na entrega dos prêmios Grammy Latino, para os quais foi indicada em quatro categorias. "Vamos tocar sem censura e estamos gostando muito da idéia. Nunca tocamos na TV porque sempre querem nos censurar", disse a jornalistas o líder da banda, Tito Fuentes, na semana passada.

O polêmico grupo, que enfrenta a censura desde que começou, em 1995, em função de suas letras explícitas, informou que talvez cante Here we come no lugar de Frijolero na cerimônia de entrega dos prêmios, programada para quarta-feira em Miami.

Frijolero fala do racismo de alguns norte-americanos contra os mexicanos que atravessam a fronteira. A canção foi promovida com um clipe que faz a caricatura dos presidentes mexicano, Vicente Fox, e norte-americano, George Bush.

Ela causou polêmica tanto por sua letra, tanto que algumas rádios censuraram trechos dela, quanto por seu conteúdo.

Apesar da polêmica - ou, para alguns, justamente em função dela - o Molotov acabou sendo indicado ao Grammy Latino nas categorias melhor gravação do ano, melhor canção de rock e melhor videoclipe, por Frijolero, e melhor álbum de rock por seu novo disco.

Depois de passar três anos longe dos estúdios, fazendo uma extensa turnê pelos Estados Unidos, América Latina e Europa, incluindo a Rússia, o grupo voltou ao mercado musical este ano com seu novo álbum, Dance and dense denso.

Sem Surpresas
O grupo - que, além de Tito Fuentes, conta com os músicos Paco Ayala, Miky Huidobro e o norte-americano Randy Elbright - , garante que não pensa em levar surpresas à cerimônia do Grammy Latino, apesar de sua imagem de irreverente, e menos ainda agora que foi convidada a tocar.

"Antigamente, o Grammy Latino era um lixo... mas agora a direção mudou um pouco e mais bandas estão sendo convidadas", disse Fuentes.

Ele explicou que acha absurdo que, em algumas categorias, os concorrentes sejam artistas de outras áreas, como o mexicano Luis Miguel ou a colombiana Shakira, mas disse que a banda aceitou comparecer à cerimônia porque haverá outras bandas de rock presentes e porque "qualquer reconhecimento é bem-vindo".

O próximo passo do grupo será uma turnê pela América Latina e Europa que deve terminar em novembro.

O Molotov vai se apresentar pela primeira vez em El Salvador, onde antes era proibida, e voltará a Costa Rica, onde num show anterior teve um confronto com a polícia, devido à violência com que esta reprimiu alguns de seus fãs.
 

Reuters

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