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01 de novembro de 2012 • 12h02 • atualizado às 12h06

Em turnê no Brasil, Maná diz que já pensa em voltar em 2013

"Queremos que os brasileiros sintam que somos uma de suas bandas", disse o baterista Alex
Foto: Getty Images
 
Elisa Feres
Luisa Migueres

A forte relação do Maná com o Brasil pôde ser percebida logo nos primeiros minutos da entrevista feita com o baterista Alex González. "Você pode falar comigo em português se quiser. Se falar devagar, consigo entender", disse ao Terra ao ser perguntado em qual idioma ele - mexicano que mora nos Estados Unidos - preferia conversar.

A banda (composta ainda por Fernando Olvera, Sergio Vallín e Juan Calleros) está atualmente no País em turnê de divulgação do álbum Drama y Luz (2011) e já se apresentou nas últimas semanas no Rio de Janeiro, em São Paulo e Belo Horizonte. Nos shows, além de tocar faixas desse último disco de estúdio, eles relembraram clássicos da carreira, muitos dos quais estão reunidos no Exiliados en la Bahía: Lo Mejor de Maná, CD de greatest hits lançado neste ano. A última apresentação acontece nesta quinta-feira (1º) em Porto Alegre.

"É importante estar no Brasil. Já estamos pensando em voltar no começo do ano que vem com mais divulgações e talvez mais shows. O que nós queremos é que os brasileiros continuem gostando do Maná e que a gente seja um nome da casa. Queremos que os brasileiros sintam que somos uma de suas bandas", afirmou Alex.

Veja abaixo a entrevista na íntegra.

Terra - Como está sendo esta turnê no Brasil?
Alex - Muito boa. Estamos muito felizes. É sempre excitante vir para o Brasil, um lugar tão musical. Se tudo der certo com essa turnê, o Maná ficará ainda mais popular por aqui e poderemos voltar outras vezes com turnês maiores.

Terra - O que quer dizer com "um país musical"?
Alex - É só ver a história, há tanta música boa que saiu do Brasil... Vir a um país onde existem tantos tipos diferentes de música boa é sempre ótimo. As pessoas sabem apreciar. Sabemos que o público daqui aprecia o que fazemos lá em cima do palco.

Terra - Você conhece música brasileira?
Alex - Sim, conheço bastante coisa e adoro. De Caetano Veloso a Sepultura. Há tanta música incrível aqui que não consigo nem mencionar todos os nomes.

Terra - Acha que vocês têm uma conexão especial com o público brasileiro?
Alex - Uma das coisas que já percebemos é que o Brasil é aberto para receber músicas cantadas em espanhol. Isso aumenta a cada vez que a gente vem para cá. Nós conseguimos nos comunicar bem, o português também não é difícil de entender. Somos todos latinos e vocês entendem isso. O Brasil tem mais em comum com o México, a Colômbia e a Argentina do que com os Estados Unidos ou qualquer outro lugar.

Terra - Como tem sido o público dessa turnê?
Alex - Nosso público do Brasil é apaixonado assim como o de todos os outros lugares em que tocamos. Nós já fizemos shows para 3 mil pessoas e para 20 mil pessoas, o que na verdade não importa. O que importa é tocar para todo mundo, principalmente os brasileiros. Queremos ser uma banda bem aceita por aqui, queremos ser familiares para vocês.

Terra - Vocês demoraram quase oito meses para finalizar Drama y Luz. Por que tanto tempo?
Alex - Foi um processo muito difícil. Quando estávamos fazendo as demos, entre março e abril de 2010, o Fernando perdeu a mãe e a irmã, que tinham câncer. As duas em menos de um mês! Foi muito triste. Não sabíamos se íamos continuar ou não, ele é nosso principal compositor. Foi complicado para toda a banda ficar nessa dúvida com o processo de gravação. Mas as coisas tomaram seu curso. Não o pressionamos nem um pouco, compor tem que ser uma coisa natural, e acho que ele ficou grato com o apoio que a banda deu. Por tudo isso, o processo demorou mais do que o normal. No futuro, o Maná não vai demorar tanto para finalizar seus discos.

Terra - Usaram instrumentos diferentes nestas gravações?
Alex - Usamos uma combinação de tecnologia digital e analógica. Também gravamos em lugares diferentes, como Los Angeles, Miami, Guadalajara. Quando estamos trabalhando em um álbum, tentamos fazer sempre coisas diferentes dos anteriores.

Terra - Para você, é o melhor álbum de Maná?
Alex - Não posso responder isso. É como escolher qual dos filhos você gosta mais. Cada um representa um momento de nossas vidas e de nossa carreira. O que posso dizer é que temos muito orgulho deste trabalho, das músicas que escrevemos. Ele foi bem aceito pela critica e pelo público. Sabemos que as pessoas gostaram por que essa tem sido uma das nossas turnês de maior sucesso na nossa carreira. E a característica principal do Maná é que somos uma banda honesta. Não importa o que colocamos para fora, somos o que somos, não tentamos ser nada além disso. Só esperamos que as pessoas gostem de nós dessa maneira. E, agora há pouco, o Fher falou em uma entrevista que ele sente que o próximo álbum do Maná será cheio de energia e muito mais positivo. Vamos ver o que acontece. A ideia é lançar outro disco de inéditas no final de 2014. Vamos tentar fazer isso. Não temos calendário, mas vamos tentar.

Terra - Latinoamerica é um dos destaques do disco. Como escreveram ela?
Alex - Latinoamerica surgiu de uma combinação de duas ideias. A primeira delas era falar sobre o orgulho de ser latino-americano. A segunda, falar sobre o preconceito que muitos latinos enfrentam nos Estados Unidos e em outros lugares do mundo. O Maná é contra todos os tipos de preconceito. Sendo latinos e vivendo nos Estados Unidos, percebemos que o racismo continua existindo fortemente. Às vezes até de latino para latino, o que não faz sentido nenhum! É pura ignorância. É por isso que escrevemos uma música de protesto. Ela fala sobre o que estamos vivendo. Somos todos irmãos e irmãs, mesmo com nossos problemas. E é engraçado por que essa música costuma empolgar muito nosso público. Quando a tocamos, as pessoas começam a pular e vemos bandeiras de vários países latinos sendo levantadas. É incrível!

Terra - Vocês são bastante populares no Brasil por causa das novelas. O que acha disso? Você gosta de ouvir sua música na televisão?
Alex - Música deve ser tocada em todos os lugares. Você ouve música no seu carro, ouve no consultório do dentista, então por que não na telenovela? Ficamos felizes por que, no Brasil, duas canções funcionaram muito bem, Vivier Sin Aire e Labios Compartidos. E nunca se sabe, pode ser que logo outra música nossa apareça por aí...

Terra - Como escolheram as músicas para o Exiliados en la Bahía: Lo Mejor de Maná?
Alex - Fazia alguns anos que não lançávamos um greatest hits, então focamos esse nos nossos últimos três álbuns. Também colocamos alguns hits mais antigos remasterizados, uma música nova e um cover. Para fechar, colocamos faixas que gravamos ao vivo em Buenos Aires. E, no Brasil, o álbum tem ainda alguns bônus. Fizemos quatro faixas especiais, quatro músicas nossas cantadas por quatro artistas brasileiros diferentes. Convidamos Jorge e Mateus, Luan Santana, Jota Quest e Thiaguinho. Todos eles são bastante populares e, com essa colaboração, achamos que as pessoas poderiam ficar curiosas e se aprofundar no Maná e no que temos feito durante todos esses anos. As faixas estão disponíveis só para o Brasil. Viu como amamos vocês? É o único país em que fizemos isso (risos).

Terra - Acha que foi o momento perfeito para lançar esse disco?
Alex - Acho que sim. Nossa banda está crescendo no mundo todo. No Brasil, por exemplo, tocamos no Rock in Rio e aquilo foi muito importante para nos mostrarmos. Já estamos pensando em voltar no começo do ano que vem com mais divulgações e talvez mais shows. É importante para nós estarmos fortes no Brasil. E, para isso, é preciso estar presente aqui. Há muita coisa acontecendo, não tem como vir apenas a cada três ou quatro anos. O que nós queremos é que os brasileiros continuem gostando do Maná e que a gente seja um nome da casa. Queremos que os brasileiros sintam que somos uma de suas bandas.

Terra - Vocês estiveram recentemente com o presidente Obama. Como foi?
Alex - O presidente Obama pediu nosso apoio para conseguir votos da população latina. É a primeira vez que fazemos isso. Vários partidos e vários políticos da América Latina já nos procuraram, nos ofereceram até dinheiro para apoiar suas campanhas, mas nunca aceitamos. Não queremos nos envolver com política. Mas tocamos há 20 anos nos Estados Unidos e devemos muito aos nossos fãs latinos de lá. Decidimos que seria importante dizer a eles o que sentimos e mostrar qual é nossa opinião sobre a melhor opção de futuro para eles. Especialmente com assuntos referentes à imigração. A vida de milhões de pessoas depende dessa escolha. E o Obama, mais do que político, é um humanista. É a melhor opção entre as duas que eles têm. Ele não procura conflito, tem uma postura mais pacifista. É engajado, prefere sentar e conversar a entrar em guerra. Usa a diplomacia para encarar os problemas.

Terra - Em que outros países vocês foram procurados por políticos?
Alex - Já aconteceu no México, na Venezuela, na Argentina, na Colômbia. Queremos o melhor para todos os países, mas acreditamos que as pessoas podem mudá-los, não os partidos. Não gostamos da ideia de ver uma única pessoa trabalhando pelo seu povo. Ninguém pode dizer a ele o que pensar, o que fazer, como viver. Isso é ditadura.

Terra - Para finalizar, quer deixar alguma mensagem para seus fãs brasileiros?
Alex - Quero! Nós amamos muito vocês, obrigado pelo apoio, estamos muito felizes e nos vemos na turnê!

Terra