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Clapton se apresenta para 45 mil em SP e dedica show a Massa

12 out 2011
21h51
atualizado em 13/10/2011 às 02h42
Renato Beolchi
Direto de São Paulo

O tempo frio e úmido não chegou a esquentar, mas secou às 21h desta quarta (12) quando Eric Clapton pisou no palco montado no Estádio do Morumbi em São Paulo para se apresentar para 45 mil pessoas. Com setlist sem surpresas, mas de técnica inigualável, o guitarrista britânico tocou durante quase duas horas em uma noite, que segundo suas próprias palavras, foi dedicada ao piloto Felipe Massa.

O cantor tocou no Estádio do Morumbi
O cantor tocou no Estádio do Morumbi
Foto: Bruno Santos / Terra

Foram 16 canções divididas em dois blocos de guitarras e um intervalo acústico no meio da apresentação. Impossível dizer que seja histórico, mas um show competente e de execução impecável. Daquelas apresentações que incentivam guitarristas amadores a desistirem do instrumento.

Abertura "blueseira" enfim
A noite musical começou às 19h40 com a apresentação de Gary Clark Jr., guitarrista texano de 27 anos que apresentou repertório enxuto e barulhento - no bom sentido - com faixas de seu único álbum: Worry No More (2008).

O sereno gelado não deu trégua durante os quarenta minutos da apresentação de Clark. Jr. Mesmo assim a presença do novato cumpriu sua missão: esquentou o público para Clapton.

Bem mais adequado que em 2001, última passagem da lenda do blues pelo País, quando se apresentou no Pacaembu com a turnê do disco Reptile em um show que contou a abertura de Frejat.

A lenda no palco
Clapton deu o sinal para que as luzes do estádio fossem apagadas às 21h, de acordo o horário marcado nos ingressos. E, sob forte ovação, abriu a noite - a exemplo do segundo show no Rio de Janeiro - com Key To The Highway e Tell The Truth. O primeiro hino do show veio em seguida: Hoochie Coochie Man, clássico de Muddy Waters.

Artista tradicionalmente de poucas palavras no palco, Clapton não achou sua veia tagarela em São Paulo. Depois de dar boa noite ao público e dedicar a apresentação a Massa, não se dirigiu mais à platéia a não ser para agradecer os aplausos ao fim de cada canção.

Banquinho e violão
Depois de executar Old Love e Tearing Us Apart deixou de lado sua famosa guitarra Fender Stratocaster azul calcinha e assumiu o controle de um violão sentado em um banquinho. A bossa nova nem chegou aos arredores do Morumbi, e mesmo no set acústico, Clapton mostrou vigor de big band ao cantar Driftin' Blues. Sem bateria, contou com as palmas do estádio inteiro para marcar o ritmo da canção.

Ainda ao violão, mas dessa vez com o resto da banda, interpretou sua versão de Nobody Knows You When You're Down And Out, clássico do blues composto na década de 1920 e que já foi gravada desde John Lennon a Carla Bruni.

Ainda sentado, mas de volta à guitarra, Clapton despejou os acordes de uma de suas composições mais famosas: Lay Down Sally. A faixa foi sucedida por When Somebody Thinks You're Wonderful, canção com sotaque de jazz de Nova Orleans, e que gravou no ano passado para o disco Clapton.

A sessão acústica da apresentação terminou com mais um clássico. Os acordes iniciais de Layla demoraram alguns instantes para ser identificados pelo público. Isso porque a versão apresentada pelo músico ficou bem mais lenta - mas não arrastada - do que original de Derek And The Dominos, banda-relâmpago que Clapton formou no início dos anos 1970.

De volta à guitarra
Em pé, e de volta à Fender azul, Clapton se preparou para o arremate e reiniciou o show plugado com Badge, canção lançada pelo Cream (talvez sua mais famosa banda) em 1969 e composta em parceria com o beatle George Harrison. Durante a execução, Clapton enfrentou algum problema com seus pedais de efeitos que provocaram pisões irritados do guitarrista no equipamento.

Ainda havia tempo para mais uma balada, e Clapton escolheu Wonderful Tonight. A faixa foi composta em homenagem a Patti Boyd que foi o centro de um triângulo amoroso entre Clapton e George Harrison. Boyd foi casada com o ex-beatle e anos depois casou-se com Clapton. Ela também é a inspiração para Layla.

Corações partidos à parte, o show continuou em sua reta final com Before You Accuse Me, gravada por outra lenda do blues, Bo Diddley, no final dos anos 1950. Em seguida, Little Queen Of Spades fez a primeira de duas homenagens a Robert Johnson (o mitológico bluseiro que teria vendido à alma ao diabo).

Mas foram os acordes de Cocaine que arrancaram os gritos mais efusivos da platéia nessa noite. A faixa contou com vocal de apoio de 45 mil fãs e, de presente, Clapton ainda deu o refrão de presente ao público antes de sair do palco por alguns instantes.

O bis culminou com a segunda homenagem a Robert Johnson: Crossroads finalizou a passagem de Eric Clapton por terras brasileiras na primeira turnê do guitarrista nos últimos 10 anos.

Aos 66, Clapton ainda tem fôlego para muito mais, e quem não foi ao show desta noite perdeu 16 motivos para entender porque ele é um dos maiores guitarristas do mundo.

Confira o setlist completo:
Key To The Highway
Tell The Truth
Hoochie Coochie Man
Old Love
Tearing Us Apart
Driftin' Blues
Nobody Knows You When You're Down and Out
Lay Down Sally
When Somebody Thinks You're Wonderful
Layla
Badge
Wonderful Tonight
Before You Accuse Me
Little Queen of Spades
Cocaine

Bis:
Crossroads

Fonte: Terra

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