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Chicão diz que é preciso dissociar sua banda da imagem de Cássia Eller

9 set 2010
08h57
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Leandro Souto Maior

Rio - A capa com Chicão, filho da cantora Cássia Eller, publicada ontem em O DIA D, mobilizou os leitores, que há muito se perguntavam por onde andava o herdeiro da estrela da música brasileira. Descoberto por O DIA tocando percussão e cantando na banda Zarapatéu, sob a Lona Cultural Herbert Vianna, no Complexo da Maré, ele mostrou que não é apenas 'o filho da Cássia', mas um músico talentoso e um ser humano sensível. "Não queremos ser conhecidos só como 'a banda do filho da Cássia Eller', é preciso dissociar a imagem do Zarapatéu da minha mãe", pede Chicão. Abaixo, o grupo - que toca clássicos de Chico Buarque, Baden Powell e Jorge Ben Jor e é formado por alunos do Centro Educacional Anísio Teixeira (Ceat) - conta suas aventuras.

O DIA: Como foi a experiência de se apresentar no Complexo da Maré?
Artur Sinapse, bateria: "Foi muito bacana. Acho que esse intercâmbio deveria ser algo mais frequente, porque essa história de barreira entre classes é uma grande besteira. O grande barato é juntar tudo e todos e, assim, aproveitar essa rica e valiosa cultura que temos aqui no nosso País."

Como escolhem o repertório que tocam ao vivo?
Bruna Araújo, voz: "O Zarapatéu procura personalizar as músicas, deixando que permaneça a essência dos clássicos que reproduzimos, mas colocando nossa pressão e criatividade. 'Zarapateamos'!"

Além dos clássicos da MPB que vocês curtem, há bandas ou artistas atuais que vocês admiram?
Lucas Videla, percussão e vocal: "Das gerações mais recentes, particularmente, gosto muito do Rodrigo Maranhão. Inclusive, tocamos uma música dele, Maracatu Embolado. Gostamos também do Rio Maracatu, 4 Cabeça e do Rogê."

Como está o processo de composição de músicas próprias do grupo?
Pedro Moragas, baixo: "A gente mostra as composições nos ensaios ou em eventuais encontros. A partir daí essas ideias são desenvolvidas. Ainda não há uma música feita em conjunto, por todos os oito integrantes da banda. Em geral, preferimos trabalhar nas composições dois a dois ou, no máximo, com três pessoas."

Em tempos digitais, vocês acham que ainda é necessário lançar um disco físico, ou só a divulgação pela Internet é suficiente?
Bernardo de Carvalho, clarineta: "Disco físico não é mais necessário, pelo menos do ponto de vista da divulgação, já que a Internet atinge um grande número de pessoas. Mas o CD é um registro importante que sempre marca um momento de um grupo e a concretização de um trabalho."

Como é administrar oito pessoas no conjunto e equilibrar as opiniões para que todos fiquem satisfeitos?
Marina Chuva, percussão e vocal: "É, oito pessoas é muita coisa e geralmente acaba dando muito trabalho, principalmente na hora de marcar ensaio, por exemplo. Mas as opiniões costumam ser bem parecidas e quando a maioria acha algo, os outros acabam cedendo. A gente tenta sempre conciliar as ideias."

Estudar em uma escola que incentiva o desenvolvimento artístico influenciou a decisão de querer seguir carreira na música?
Chico Eller, percussão e vocal: "Influenciou muito. Pelo menos na minha escolha. Não só pelas aulas de música, mas também pela liberdade que o colégio dá aos alunos no que diz respeito ao que nós acreditamos. É um espaço onde temos o direito de reclamar, de criticar e ser criticado, de não ter que fazer Medicina, Direito, Filosofia, Ciências Sociais ou qualquer outra coisa que a gente não queira."

Que palco do Rio é um sonho da banda se apresentar um dia?
Daniel Batalha, guitarra: "O Circo Voador é bem cobiçado, pois sempre nos encontramos pela Lapa e assistimos a vários shows por lá."

Banda do filho de Cássia Eller fez show no Complexo da Maré, no Rio
Banda do filho de Cássia Eller fez show no Complexo da Maré, no Rio
Foto: Divulgação

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Fonte: O Dia
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