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Britney Spears causa emoção e constrangimento na estreia em SP

18 nov 2011
23h15
atualizado em 19/11/2011 às 09h02
Gabriel Perline
Direto de São Paulo

Há 13 anos emplacando hits no cenário da música pop, Britney Spears enfim satisfez o desejo dos fãs paulistanos e debutou na cidade de São Paulo na noite de sexta-feira (18), recebendo mais de 20 mil pessoas na Arena Anhembi, que enfrentaram o frio para conferir de perto a performance da princesinha do pop em sua nova turnê, Femme Fatale.

As primeiras batidas de Hold it Against Me, por volta das 22h03, mal ecoaram pelo espaço e os fãs, mesclando alegria e desespero em estar a alguns metros da artista, iniciaram a gritaria ensurdecedora, que seguiu firme até o fim da noite. Britney entrou no palco com um maiô prateado e dublou, interpretou, tentou dançar e fez uma grande sequência de bate-cabelo, levando o público ao delírio.

Todos ali sabiam que Britney é adepta do playback desde quando se lançou como cantora. Ela sempre preferiu investir nas coreografias, com passos bem marcados, que soltar a voz ao vivo. Mas os anos se passaram e muitas coisas aconteceram com o corpo e a desenvoltura da artista, que nem de perto lembra aquela mulher fatal e provocante dos videoclipes.

Os fãs, que acompanham a carreira de Britney há muitos anos e a tem como musa inspiradora, estavam ali para curtir o momento. A maioria sabia que se tratava de um show de dança, com cenografia grandiosa - como manda o script de todo bom show do gênero - e bastante apoiado por recursos tecnológicos. Então, tudo o que viesse além disso seria lucro. Se ela entoasse uma estrofe ao vivo, se improvisasse mais, se fosse mais espontânea, audaciosa e simpática, o show poderia marcar as pessoas de uma forma diferente. Mas ela não quis sair de sua zona de conforto e, mesmo assim, acabou derrapando dentro dela.

Se o show era para apresentar as coreografias da nova turnê, o trabalho ficou totalmente por conta de seus dançarinos. Aliás, vale frisar o potencial de sua equipe, que supera as das demais artistas pop que passaram pelo Brasil nos últimos anos. Britney, que já não cantava, também não dançou. Ou melhor, ela tentou, mas os movimentos eram tão travados e limitados, que seu esforço em imitar os bailarinos chegava a ser constrangedor.

Algumas coreografias também foram decepcionantes. Three, I'm Slave 4 U, Womanizer e Toxic, videoclipes em que Britney aparece bastante rebolativa, tiveram performances mais simples, pouco sensuais e provocativas, que em nada remeteram à obra original.

O espetáculo, do ponto de vista cenográfico, foi impecável. Britney conseguiu transitar entre os Estados Unidos, Egito e Japão, além de causar o "fim do mundo" e voar pelo público com toda a tecnologia adotada para a turnê. Elevadores, plataformas, caixas de som gigantescas, um carro rosa e barras verticais para pole dance também incrementaram o palco e fizeram brilhar os olhos do público com a grandiosidade do show.

Houve também uma "homenagem" aos fotógrafos que a perseguem. Britney, que há anos sofre nas mãos dos paparazzi, já esclareceu em suas músicas e videoclipes que não morre de amores pelos profissionais. Durante a performance de Piece Of Me, ela deu seu recado ao exibir imagens de armas de fogo e bombas no telão, enquanto coreografava a canção.

Britney Spears autorizou ser clicada somente durante as performances das músicas em que usava maiô. Em Gimme More, a primeira em que surgiu de barriguinha de fora, os fotógrafos tiveram poucos segundos para fazerm seus registros e pouco tempo depois já não havia mais flashes profissionais na Arena Anhembi que pudessem captar suas curvas. Ao contrário das más línguas, ela não está gorda, tampouco obesa. Ela está com o corpo de uma mulher de 30 anos, que já teve dois filhos e ainda se preocupa com a forma física. Ou seja, embora esteja magra, ela ainda possui uma barriguinha flácida, que vez ou outra saltava ou formava dobras nos momentos em que se agachava ou sentava.

A falta de entrosamento com o público também foi gritante no show. Além de repetir inúmeras vezes "What's up, São Paulo?" (E aí, São Paulo?), com direito a um "I love you, São Paulo", ela tornou o sonho de um grupo de fãs em algo que esteve próximo de um pesadelo. Na performance de I Wanna Go, algumas pessoas foram chamadas ao palco para dançarem e pularem ao lado da artista. Aliás, Shakira e Katy Perry fizeram algo semelhante com seus públicos e distribuíram abraços e beijos. Já a princesinha do pop preferiu não ter contato com a turminha de "sortudos". Seus dançarinos fizeram uma barreira entre ela e os anônimos, impedindo qualquer tipo de contato físico com a cantora. Alguns tentavam driblar sutilmente, mas logo um bailarino percebia e cortava a tentativa de aproximação.

Embora a apresentação de Britney Spears tenha deixado a desejar, a noite valeu a pena para a maioria. Afinal, foi a primeira vez que se apresentou em São Paulo, a turnê é recheada de hits consagrados e conta com um fato muito importante: o rosto angelical da artista, que hipnotizava os fãs com seus sorrisos nos intervalos das canções.

Setlist
Hold it Against Me
Up N' Down
Three
Piece of Me
Big Fat Bass
How I Roll
Lace And Leather
If U Seek Amy
Gimme More
(Drop Dead) Beautiful
Don't Lemme Be The Last To Know
Boys
Baby One More Time
S&M
Trouble For Me
I'm Slave 4 U
I Wanna Go
Womanizer
Toxic
Till The World Ends

Cantora faz performance durante o primeiro show de sua carreira na capital paulista
Cantora faz performance durante o primeiro show de sua carreira na capital paulista
Foto: Aloisio Maurício / Terra
Fonte: Terra
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