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Após "inferno pessoal", Ana Cañas lança álbum e volta às origens

6 ago 2012
15h53
atualizado em 7/8/2012 às 10h40

Mariana Ghorayeb

Em 2006, quando foi "descoberta" no pequeno Baretto, do hotel Fasano, talvez Ana Cañas não imaginasse que tudo que ela desejaria anos depois era apenas retomar o caminho de sua essência. "Passei por um inferno pessoal, de misturar momentos difíceis da vida pessoal que se refletiram na vida profissional", disse ela.

Ana Cañas se referiu ao conturbado momento da carreira em que fez algumas apresentações visivelmente alcoolizada - como os show do Canecão, em 2009, e Auditório Ibirapuera, um ano depois, em que chegou a cair no palco. "Foi uma fase que passou, de imaturidade, confusão e paixão também. Achar que as coisas não teriam consequência, como tiveram", ressaltou. "Eu estava tendo atitudes que não eram minhas, nunca fui uma pessoa de beber. Isso é estar longe da minha essência", explicou ela.

Retornando a 2012, Ana Cañas não esconde a alegria da nova fase. Depois de três anos sem nenhum lançamento, a cantora põe no mercado Volta, seu novo disco. "Esse tempo sem gravar foi importante para mim, de reflexão, futuro, de como quero construir minha história", disse. Ana contou que todo o projeto foi realizado pensando na "volta às origens". "O disco foi feito com mais calma, sem um processo afobado. Sou mais dona do meu tempo, agora tenho um selo próprio, escolhi onde gravar, com quem gravar... Experimentei um novo tipo de liberdade", comemorou.

Dona do tempo
Essa liberdade a que Ana Cañas se refere remete ao "tempo artesanal e orgânico" dedicado ao novo álbum. "Gravei em Vargem Grande, no interior do Rio de Janeiro, no meio do mato e longe de tudo. Queria um lugar com bastante natureza, que eu ficasse tranquila". Ela não hesitou em ligar para um amigo e pedir emprestada sua casa no pico de uma montanha. "É um lugar mágico e inspirador. Dá para ouvir o cachorro latindo, os grilos...", disse.

E acredite: não é força de expressão. Na segunda música de Volta é possível escutar os latidos do cachorro Inácio, que atua como "backing vocal". A cantora ficou na casa por 18 dias, mas seis meses depois precisou entrar em um estúdio para regravar algumas músicas, justamente por causa do tal som orgânico. "Todas as músicas tinham muito som de grilo. Seria um disco de grilo", disse ela, aos risos. "Mas fiz exatemente como foi lá no Rio: tudo ao vivo, em uma sala só", justificou.

Grande parte de Volta foi gravado apenas com um microfone, porque a intenção de Ana Cañas era fazer um disco em que voz e violão soassem primeiro. "Foi quase como nascer de novo, porque pela primeira vez tive um prazer em fazer disco que eu não tinha vivido ainda. O resultado está mais próximo do que eu sou, está como aconteceu, não foi editado. Não dá para mentir ou esconder. É o que é", explicou. "Queria que o disco fosse feito à flor da pele".

Outra coisa que a cantora fez questão de decidir foram os músicos que a acompanhariam nesse "isolamento". Os eleitos foram Fabá Jimenez e Fábio Sá. "São pessoas que tenho uma intimidade muito grande. Escolhi quem eu poderia ter liberdade, comodidade de dizer o que penso e fazer como eu queria realmente fazer", contou. "Por ser um processo tão delicado, com tudo ao vivo, eu achava que se enchesse de músico teria problema", completou.

Ney Matogrosso
Depois de assumir a produção do disco, ficar responsável por quase todo o clipe da primeira música de trabalho, Será Que Você Me Ama? e ser responsável até pela foto da capa do álbum, Ana Cañas sentiu a necessidade de uma "ajuda". Neste caso o escolhido para dirigir seu show foi Ney Matogrosso.

"Nos conhecemos no Som Brasil do Cazuza, na TV Globo. Conhecia de fã, ele era um ídolo para mim. (Como já tinha feito muitas coisas) queria um olhar de fora, alguém que pudesse me ajudar a contar toda essa história no show, alguém que soubesse como é estar com o microfone na mão, diante do público. Queria também focar em uma Ana mais feminina, mais mulher... Que eu estava pouco distante. Achei que ele seria ideal e realmente foi. As coisas que ele me ensinou são como um pequeno diamante, que vou carregar pelo resto da vida", comemorou.

Ney demorou alguns meses para aceitar. "Liguei para a casa dele convidando, mas ele queria escutar o disco, que não estava pronto. Depois que ouviu ele topou e eu fiquei aqui, pulando de alegria, feliz da vida! Uma honra, um sonho para mim. No dia da estreia ele estava lá. Falei: 'me belisca! Ney Matogrosso está ali, montando a luz do meu show!'", disse aos risos.

Futuro
Com bom reconhecimento fora do Brasil, Ana Cañas acabou de voltar de um show realizado em Paris e já tem planos para o futuro. "Agora estamos programando para lançar o Volta lá fora. Já tem selos interessados", comemorou ela. "Meu plano agora é viver um dia após o outro, aprender e melhorar como ser humano. Se eu melhorar um pouquinho, para mim já é suficientemente bom".

Após três anos sem gravar, Ana Cañas lança novo álbum, 'Volta'
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Foto: Divulgação
Fonte: Terra

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